O Departamento do Tesouro dos EUA suspendeu as sanções impostas ao juiz da Suprema Corte brasileira que supervisionou a condenação do ex-presidente JairBolsonaro.
O ministro Alexandre de Moraes estava sob sanções da Global Magnitsky, que visam indivíduos acusados de abusos de direitos humanos, desde julho. Sua esposa, Viviane Barci de Moraes – que entrou na lista de sanções em setembro – também foi retirada do cadastro na sexta-feira.
A medida foi repetidamente solicitada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em negociações com Donald Trump reverter as tarifas de 50% sobre as importações brasileiras.
A decisão é um grande revés para Bolsonaro e seu filho, deputado federal, Eduardo Bolsonaro, que deixou o cargo em Brasil fazer lobby em Washington por medidas punitivas sobre o que ele chamou de “perseguição” ao seu pai.
Trump impôs a punição logo após impor tarifas ao Brasil, justificando-a como uma resposta ao que alegou ser uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro alegou que influenciou a decisão de Trump.
Moraes presidiu a audiência de julgamento em setembro, quando Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentar anular as eleições de 2022 no Brasil. Dias depois, as sanções Magnitsky foram estendidas à esposa do juiz.
Os apoiadores de Bolsonaro esperavam mais retaliações contra o Brasil, mas o que se seguiu foi uma aproximação inesperada entre Trump e Lula.
O presidente dos EUA elogiou pela primeira vez o seu homólogo brasileiro durante a assembleia geral da ONU; os dois trocaram então telefonemas, realizaram a sua primeira reunião presencial e, em Novembro, Trump retirou a maior parte das tarifas.
Com as sanções levantadas contra Moraes e sua esposa, Eduardo Bolsonaro postado nas redes sociais que “recebeu com pesar” a notícia, ao mesmo tempo que agradeceu a Trump “pelo apoio demonstrado ao longo deste processo e pela atenção que deu à grave crise de liberdades que afecta o Brasil”.
Acrescentou que continuará “trabalhando com firmeza e resolução para encontrar um caminho que permita a libertação do nosso país, pelo tempo que for necessário e apesar das circunstâncias adversas. Que Deus abençoe a América e tenha misericórdia do povo brasileiro”.
Bolsonaro já cumpre pena em uma cela especial na sede da Polícia Federal, em Brasília.
Esta semana, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei que pode reduzir seu tempo em regime fechado para pouco mais de dois anos.
O projeto de lei – que ainda está aquém da anistia total solicitada pelo líder de extrema direita e seus filhos – ainda deve ser aprovado no Senado, onde também há aparente apoio, antes de ir para Lula; qualquer veto dele provavelmente seria anulado.