Mais de 50 cidades dos Estados Unidos registraram manifestações e vigílias neste sábado (31) e na sexta-feira (30), em uma mobilização nacional massiva contra as políticas de imigração do governo Trumpág. De Nova York à Califórnia, passando pelo Alasca e Flórida, estadunidenses foram às ruas em resposta à violência policial em Minnesota, exigindo o fim das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Em paralelo, o governo está parcialmente paralisado por um desligar – paralisação parcial que ocorre quando o Congresso não consegue aprovar o orçamento federal, levando a uma suspensão parcial dos pagamentos governamentais – após impasse sobre o financiamento das agências de segurança. É a segunda vez em três meses que os EUA passam por uma situação semelhante. Os democratas no Senado bloquearam o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE.
A medida da oposição é uma resposta direta aos assassinatos recentes de dois cidadãos estadunidenses em operações federais. Uma votação para definir o cenário de paralisação financeira está agendada para esta segunda-feira (2), com a expectativa de que o orçamento seja normalizado já no início da semana. Em Washington, 54 manifestantes foram presos nesta sexta-feira (30), ao ocuparem um prédio do Senado exigindo o fim do financiamento ao DHS.
Uma das exigências dos parlamentares contrários ao governo Trump para destravar o orçamento é que os agentes do Ice parem de cobrir o rosto com balaclava, toucas ninjas e outros acessórios durante ações contra imigrantes. A ideia é impedir a normalização de um segredo policial, que se aproveita do anonimato para cometer abusos.
Na manhã deste sábado (31), mesmo em meio aos protestos, agentes federais foram flagrados utilizando o estacionamento de uma escola de ensino fundamental em Minneapolis, como ponto de preparação para operações. A divulgação de imagens de câmeras de segurança na imprensa e na internet gerou repúdio de autoridades escolares que planejam proibir a presença não autorizada de vigilância nas unidades de ensino.
Nas ruas
O movimento deste fim de semana é impulsionado pela convocação de uma greve geral nacional organizada por ativistas, trabalhadores e estudantes.
Em Nova York, milhares de pessoas se reuniram na Foley Square, região que concentra prédios do poder público e tribunais. Uma multidão marchou até o Washington Square Park, parque público simbólico da cidade. O prefeito Zohran Mamdani declarou apoio e afirmou que a coragem dos manifestantes “inspira o mundo”.
No estado do Colorado, estudantes e professores lideraram grandes atos na cidade de Denver. O distrito escolar teve que cancelar aulas de última hora devido à adesão massiva dos professores à greve. No sul do país, alunos de 90 escolas da Geórgia deixaram as salas de aula em protesto.
Muitos estabelecimentos comerciais, incluindo museus em Nova York e lojas em Seattle e Milwaukee, fecharam as portas em solidariedade aos manifestantes e prometeram doar os lucros do dia para a causa.
A atual onda de revolta foi desencadeada por assassinatos cometidos por agentes do ICE em Minneapolis. Os dois casos foram registrados em vídeo por testemunhas e as imagens das ações violentas correram pelo mundo.
O enfermeiro Alex Pretti foi morto em 24 de janeiro, aos 37 anos. Ele tentou filmar uma operação de imigração com o celular, quando foi abordada, executada no chão e executada. Algumas semanas antes, no último dia 7, a poetisa Renee Good, de 37 anos, foi assassinada dentro do próprio carro de um agente do ICE.