O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse nesta terça-feira (30) que os Ataques terrestres anunciados pelos Estados Unidos contra a Venezuela foram realizados na região da fronteira, na cidade de Maracaibo. De acordo com o mandatário, a operação teria atingido uma fábrica que poderia ser um espaço de produção de drogas. Nenhuma prova sobre o suposto ataque foi apresentada até o momento.
A Venezuela não confirmou a realização da exploração terrestre. O vice-Ministro de Políticas Antibloqueio da Venezuela, William Castillo, disse em publicação no X que todo o imbróglio “parece falso”, e que Caracas estaria investigando o possível ataque.
A empresa que faz a gestão do espaço desenvolvida alvejado pelos EUA seria a Primazol. Em nota, a companhia negocial que sofreu um ataque. De acordo com o texto, foi registrado um incêndio de pequenas proporções, em 24 de dezembro, em um de seus armazéns na região de Maracaibo.
Na publicação nas redes sociais, Petro também disse, sem apresentar provas, que o alvo seria o Exército de Liertação Nacional (ELN), o mais antigo grupo guerrilheiro colombiano em atividade, que chegou a iniciar diálogos de paz com o governo, mas abandonou as negociações.
“É simplesmente o ELN. O ELN está permitindo, com suas atividades ilegais e seu dogma mental, uma invasão à Venezuela”, escreveu Petro.
Segundo o presidente, o ELN e as dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), como a Frente 33, precisam decidir se vão disputar o “controle da cocaína ou a paz”. O mandatário também fez um apelo para que o Exército Colombiano mudasse a forma de atuação no território.
“O exército precisa adotar uma abordagem “à moda estadunidense” no Catatumbo e substituir as plantações de coca. Hoje, devido à expansão do cultivo de folha de coca na América Latina, aliada a uma demanda que cresce descontroladamente na Europa, o preço da cocaína despencou. Enormes armazéns na África armazenam quantidades de toneladas de cocaína, e o preço da folha de coca na Colômbia entrou em colapso; cannabis e ouro ilícito agora são mais lucrativos que a cocaína”, disse em publicação nas redes sociais.
Petro ainda disse que os mais de 30 barcos atacados até agora pelos Estados Unidos no mar do Caribe e no Oceano Pacífico não carregavam cocaína, mas maconha.
“É um problema paradoxal: nos EUA, é legal em muitos lugares. E o Congresso colombiano não deveria ter permitido que fosse ilegal; a proposta foi perdida por um único voto, um voto que custou a vida de muitos barqueiros humildes e, agora, deixou de existir qualquer consumidor estadunidense ou global. Trump está completamente errado. A cocaína está sendo contrabandeada para a Europa por submarino e contêiner. O que está sendo alvo de perseguição ilegítima é a cannabis”, disse Petro.
O transporte de cocaína é uma justificativa usada por Trump para os ataques no Caribe. De acordo com ele, embarcações que saem da Venezuela pelo Caribe “inundam” o país da cocaína. A Organização das Nações Unidas (ONU), no entanto, afirma que apenas 5% da droga produzida na América do Sul tenta sair pelo Caribe, e 87% sai pelo Pacífico.
Relação com a Venezuela
Petro também comentou sobre sua relação com Nicolás Maduro. De acordo com ele, o presidente dos EUA, Donald Trump, acredita que o governo colombiano é aliado do chefe do Executivo da Venezuela. Petro disse que a “inteligência americana deveria ser mais profissional” e que, depois do ano novo, ele vai relatar algumas “particularidades” da relação com a Venezuela. Em seguida, ressaltou que na Colômbia não há qualquer prova de envolvimento de Maduro com tráfico de drogas.
“Alguns dias após o ano novo, relatarei as particularidades da minha relação com o movimento progressista de Hugo Chávez e minhas frustrações com o que restou de seu governo após sua morte. Não sei se Madurou desviou ilegalmente riqueza da Venezuela. Não há provas de tráfico de drogas da parte dele em nosso país. Os generais que confirmamos estarem envolvidos com o tráfico de cocaína estavam engajados em atos de sedição com o apoio do governo colombiano, buscando um golpe de Estado em Caracas”, disse.
Petro afirmou ainda que tem discutido com Maduro o enfrentamento ao ELN na fronteira.
Nos últimos meses, os EUA enviaram cerca de 10 mil soldados e muitos equipamentos militarescomo porta-aviões, ao Mar do Caribe, nas proximidades da costa venezuelana. Os estadunidenses já mataram mais de 100 pessoas, a maioria não identificada, em cerca de 20 ataques a pequenos barcos, alegando que transportavam drogas.
Especialistas em direito internacional dizem que tais operações seriam execuções sumárias, e o confisco nas últimas semanas de três petroleiros venezuelanos também configuraria roubos, à luz das leis vigentes. Neste contexto, um ataque contra um país soberano seria o mais recente ato ilegal pela administração Trump.