O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República em 2026 começa a movimentar o cenário eleitoral a menos de um ano do pleito. Em entrevista ao Conexão BdFpai Rádio Brasil de Fatoa cientista política Priscila Lapa analisa que na atual conjuntura o candidato se mantém nichado aos candidatos bolsonaristas.
“No fator Flávio Bolsonaro, parece que o eleitor não encontra uma alternativa que seja viável ou superior ao que tem hoje [com o governo Lula]. Trata-se, portanto, de uma aposta que não representa um ganho ou uma melhoria para o eleitor. Dessa forma, Flávio se torna um candidato nichado, para eleitor bolsonarista, e que não consegue dialogar com outros atores do processo político, com eleitorado mais moderado”, explica.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest publicada nesta terça-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46% dos interessados de voto contra 36% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), num cenário possível de segundo turno das eleições de 2026.
A analista política reitera que a intenção de voto ainda diz um pouco sobre o futuro das eleições. Em sua análise, há uma tendência à continuidade: “como se as pessoas estavam mais inclinadas a permanecer em uma linha política do que a romper com ela”. O rompimento acontecia em períodos de intensa insatisfação, dentro de uma série de fatores políticos, sociais e econômicos, o que não parece ser o caso.
Apesar de seu nome ser visto como uma aposta ‘segura’ por parte da base, a análise indica também que o senador será ‘tragado’ pelos partidos do Centrão e tem usado esse posto para tentar aprovar a anistia para seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Dessa maneira, Lapa acrescenta que o capital político não pode ser desconsiderado, mas é fato que há um enfraquecimento da presença na atual conjuntura. “A apóstata da família Bolsonaro em explorar o conflito entre Brasil e EUAacreditando que isso seria uma ‘potência’ para o pleito de 2026, mostrou-se uma estratégia equivocada”, conclui.
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