Pontos-chave
- María Corina Machado está a tentar “trocar” a sua aura Nobel pelo apoio de Trump na luta pela sucessão da Venezuela.
- Donald Trump quer o rótulo Nobel – ou pelo menos a validação pública que o acompanha.
- Os guardiões do Nobel da Noruega intervieram rapidamente: baseados em regras, inegociáveis e contundentes.
Um Prêmio Nobel da Paz deveria encerrar uma discussão, e não iniciá-la. No entanto, a sugestão de María Corina Machado de que poderia “dar” o seu Nobel de 2025 a Donald Trump nunca foi principalmente sobre a medalha em Oslo. Tratava-se de alavancagem em Washington.
As instituições norueguesas do Nobel agiram rapidamente para acabar com a ideia. O argumento deles era simples: o Prémio da Paz não pode ser revogado, partilhado ou transferido para terceiros.
O nome do laureado é o prêmio. Machado pode elogiar Trump, enquadrar o prémio como um reconhecimento das suas ações ou escolher o que fazer com qualquer prémio em dinheiro, mas não pode torná-lo um Prémio Nobel através de doação.
E ainda assim, a medida faz sentido político – porque o “comércio” é simbólico, não legal.
O Prêmio Nobel, Machado, Trump e quem vai liderar a Venezuela
Trump sinalizou repetidamente que quer o Prémio Nobel da Paz, apresentando-se como um negociador que pôs fim a conflitos e merece a honra.
A proposta de Machado oferece o que ele deseja: uma manchete que o apresenta como o homem que “libertou” a Venezuela de Maduro, mesmo que o comité do Nobel se recuse a concordar.
O cenário é explosivo. Em 3 de janeiro, Nicolás Maduro foi capturado e colocado sob custódia dos EUA para enfrentar acusações criminais.
No momento em que Maduro se foi, o batalha real transferido para a sucessão: quem é reconhecido como a face legítima de uma nova Venezuela e quem obtém o apoio prático de Washington.
A mensagem de Machado aponta diretamente para essa decisão. Ela está a sinalizar que se Trump quiser crédito por uma intervenção histórica, deverá apoiar o número mais associado a uma ruptura clara com o antigo sistema – e não a uma versão reformulada do mesmo.
Isso é importante porque Trump questionou publicamente a posição política de Machado, e as reportagens retrataram atritos pessoais no seu círculo por causa da sua vitória no Nobel.
Uma reunião planejada em Washington na próxima semana transformará todo o episódio em um teste de influência, não de etiqueta. Para os leitores do exterior, esta não é uma novela.
A Venezuela possui enormes reservas de petróleo, impulsiona a migração em todo o hemisfério e continua a ser um argumento vivo para sanções, fluxos de energia e estabilidade regional.
A identidade da próxima coligação governamental determinará a rapidez com que essas pressões serão aliviadas – ou intensificadas.