Pontos-chave
- A verdadeira manchete é a campanha mais contundente de Washington para desafiar a influência chinesa, com o Peru a emergir como um caso de teste privilegiado.
- O Peru está invulgarmente exposto a Pequim: cerca de 33% do seu comércio é com a China e a China consome cerca de 70% do seu cobre.
- Um escândalo de reuniões em rápida evolução oferece agora um quadro conveniente de “governo limpo” para a pressão dos EUA pouco antes das eleições no Peru de 12 de Abril de 2026.
Washington está a concentrar-se na influência chinesa nas Américas e o Peru começa a parecer o próximo caso de teste. A razão não é ideologia.
É uma alavancagem. O Peru depende do cobre de que o mundo necessita e das rotas comerciais que a China deseja. Quando Washington sinaliza que irá questionar os projetos e o financiamento chineses em toda a região, o Peru torna-se um ponto de pressão natural porque os números são muito desequilibrados.
A China foi responsável por cerca de 33% do comércio do Peru até novembro de 2025, em comparação com cerca de 14% dos Estados Unidos. Um acordo de livre comércio assinado em 2009 ajudou a China a ultrapassar os EUA como principal parceiro do Peru em 2015.


A China também compra cerca de 70% da produção de cobre do Peru. As empresas chinesas expandiram-se para a geração de energia. E o megaporto de Chancay, construído na China, começou a operar no final de novembro de 2024, estreitando as ligações marítimas diretas com a Ásia.
Escândalo no Peru alimenta pressão EUA-China
Essa combinação confere peso comercial a Pequim e dá a Washington um alvo claro. Nesse cenário estratégico caiu um pequeno escândalo com grande utilidade geopolítica.
O presidente em exercício, José Jerí, reconheceu três reuniões fora da agenda com o empresário chinês Zhihua Yang entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, incluindo reuniões em 26 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026.
Jerí pediu desculpas pela forma como as reuniões foram conduzidas, mas nega qualquer acordo indevido. Os promotores abriram uma investigação preliminar por suposto tráfico de influência.
Os legisladores da oposição lançaram medidas de impeachment ou censura. As pesquisas supostamente mudaram rapidamente, com a aprovação de Jerí caindo de 51% para 41%, e uma pesquisa da Ipsos dizendo que 78% viam sinais de corrupção.
Um detalhe manteve a história viva: em 23 de dezembro de 2025, a empresa Hidroeléctrica América de Yang solicitou PeruMinistério de Energia e Minas do Brasil adiará o início da concessão para 15 de junho de 2029.
A concessão foi concedida em 2023 com um plano de US$ 24 milhões e data de início em 1º de maio de 2026, e o atraso poderia ajudar a evitar a perda de uma carta de garantia no valor de cerca de US$ 244 mil.
Reportagens separadas também descreveram o escrutínio envolvendo outro empresário chinês, Ji Wu Xiaodong, ligado a um caso de extração ilegal de madeira.
É por isso que é importante no exterior: o escândalo dá a Washington um argumento mais claro para pressionar o Peru pela “transparência”, ao mesmo tempo que remodela o balanço da região com a China, pouco antes da votação do Peru em 12 de Abril de 2026.