Pontos-chave
- O indulto de Natal do Brasil agora bloqueia qualquer atalho para sair da prisão para Jair Bolsonaro e aqueles condenados pelos tumultos de 8 de janeiro.
- O decreto mistura regras rigorosas para crimes relacionados com golpes de estado e corrupção com um tratamento mais brando para prisioneiros idosos, doentes e vulneráveis.
- Os apoiantes dizem que protege a democracia; os críticos veem o governo usando a clemência para afastar o seu principal rival.
Todo mês de dezembro, o presidente do Brasil assina um indulto de Natal que pode perdoar ou reduzir penas de prisão para alguns presos. O objetivo é aliviar a pressão sobre um sistema prisional lotado, e não libertar pessoas perigosas.
Este ano, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o indulto tornou-se uma ferramenta na longa luta entre Lula e seu antecessor Jair Bolsonaro.
O novo decreto proposto pelo governo exclui qualquer tutela por crimes contra a ordem democrática e pela tomada do Congresso, do Supremo Tribunal e do palácio presidencial em 8 de Janeiro de 2023.
Também estão excluídos os líderes de gangues criminosas, os presos em unidades de segurança máxima e os condenados por corrupção, abuso de autoridade, tortura, terrorismo ou racismo.


Ao mesmo tempo, a medida abre portas para presidiários mais velhos, gestantes, mães de menores, pessoas com deficiência e portadores de doenças graves. Para eles, os juízes poderão encurtar penas ou encerrá-las.
Para Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar permanecer no poder após perder as eleições de 2022, a mensagem é contundente. Nem a graça individual, nem o perdão colectivo de Natal, nem uma futura anistia em Congresso cobrirá crimes relacionados ao golpe.
Seu ex-assessor e testemunha Mauro Cid também fica de fora porque o texto proíbe benefícios a colaboradores. Há uma reviravolta que muitos da direita consideram hipocrisia.
Em 2022, Bolsonaro usou seu próprio decreto de Natal para ajudar os agentes de segurança acusados do massacre na prisão do Carandiru, provocando indignação na esquerda. Hoje, Lula usa o mesmo poder constitucional para manter o seu principal adversário político e muitos apoiantes presos.