UM crise climática já impõe os seus desafios à rotina da população global e a situação irá se agravar. Um estudo da Universidade de Oxford estima que, até 2050, 3,8 bilhões de pessoas conviverão com temperaturas extremas.
Com essas projeções, as ações de adaptação são cada vez mais urgentes, alertando para a necessidade de políticas voltadas para a justiça térmica, como explica Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP).
O conceito é novo, mas a ideia é urgente. A proposta é que as políticas públicas se voltem para a promoção de espaços com conforto térmico.
“Então, essa ideia de justiça térmica, ela surge com muita força. Pensar esse tipo de alternativas passa, sem dúvida, por um outro modelo de urbanização”, afirma o especialista, em entrevista para o programa Conexão BdF 2ª edição.
“Isso vai ter que, necessariamente, levar a uma revisão da construção das edificações, de revisão, inclusive do que já está edificado, o que não é simples, não é barato, mas é necessário”, diz.
Ribeiro cita como exemplos de soluções medidas que parecem simples, mas podem fazer a diferença para o conforto térmico, como construções com o pé direito – a distância do chão ao teto – mais elevado, janelas maiores e ambientes com circulação cruzada. “Enfim, são questões importantes para não ficarmos apenas na alternativa que, aparentemente, é mais ágil, mas é muito onerosa em termos energéticos, que é simplesmente instalar o ar condicionado”, diz.
Isso porque, num futuro marcado pelos impactos da crise climática, será necessário pensar em estratégias de redução do consumo energético.
“Temos que, de facto, reorganizar os edifícios, reorganizar as moradias, o que não é nada simples, não é nada barato, mas se nós protelarmos esse desafio, vai ficar cada vez mais complicado para que as pessoas possam viver com tranquilidade, ter conforto térmico”, alerta o especialista.
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