O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (13) que o caso do Banco Master pode representar a maior fraude da história bancária do país. Enquanto as investigações avançam e novas promessas serão apresentadas, o episódio pode marcar o início de um processo de revisão em mecanismos do sistema financeiro. É o que aponta o economista Pedro Faria.
“É interessante notar: já há evidências provenientes das investigações, bastante amplas, de que não se trata apenas de um processo de falência de um banco, mas há evidências de fraudes, além do problema de liquidez. Faz muito bem o Haddad em classificar essa forma, e fez bem o Banco Central em ter decretado a liquidação do Banco Master“, disse o economista em entrevista ao Conexão BdFpai Rádio Brasil de Fato.
Ao falar sobre o caso, Haddad citou o impacto no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que oferece proteção em casos de quebras de bancos a clientes que tenham depósitos de até R$ 250 mil. O próprio fundo é um dos pontos passíveis de revisão após o escândalo do banco de Daniel Vorcaro, segundo Faria.
“O que estamos vendo, de acordo com o que foi divulgado das investigações, é que basicamente o Banco Master captava recursos, principalmente adotando uma estratégia para pessoas físicas, que têm a garantia do FGC. Ele abusava da proteção oferecida e dos recursos que captava, ao que tudo indica, eram direcionados para fundos que compravam papéis sem valor por alto preço”,.
O economista acredita que a liquidação da Master não representa riscos para o sistema financeiro como um todo e a economia do país de maneira ampla, já que se tratava de um banco de médio porte sem relevância sistêmica. Entretanto, é preciso usar o episódio para compensar algumas estruturas.
“O que ele apresenta é uma possibilidade de reformar certos mecanismos”, disse, em referência ao FGC. “Isso é um abuso de um sistema criado pelo próprio Banco Central para evitar perdas para os pequenos investidores, trabalhadores que conseguem fazer uma poupança”.
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