Marcha das Mulheres Negras deixa legado de formação, organização e luta em Pernambuco – Brasil de Fato

Marcha das Mulheres Negras deixa legado de formação, organização e luta em Pernambuco – Brasil de Fato


Foram meses de preparação. Reuniões, debates, busca por apoios, realização de bingos e feijoadas para levantar recursos. Um longo processo de organização para garantir a ida de uma delegação pernambucana para a 2ª Marcha das Mulheres Negras. O movimento colocou, na última terça-feira (25), cerca de 300 mil mulheres negras de todo o Brasil e do exterior ocupando a Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), defendendo “reparação e bem viver”. O ato aconteceu uma década após a marcha igualmente histórica de 2015.

Pernambuco contribuiu com uma caravana formada por mais de 300 mulheres, fruto de uma mobilização que envolve 33 movimentos populares, sindicais e outras entidades da sociedade civil, organizadas comissões num impulsor. “O processo de construção para essa marcha foi intenso. Nos mobilizamos em 37 municípios e mais de 20 quilombos, num processo de discussão e formação envolvendo mais de mil mulheres, trabalhando para levar representantes de todas as regiões do estado”, relata Analba Brazão Teixeira, da SOS Corpo e membro do comitê.

Brazão Teixeira se mostra confiante e animado para o próximo período e comemora o “legado de fortalecimento do movimento das mulheres negras em Pernambuco”. “É um movimento que não começou agora, mas que foi fortalecido pela marcha e deve se crescer ainda mais na luta contra o racismo, o machismo e pela ocupação de instâncias de poder pelas mulheres”, completa.

A marcha deste ano se mobilizou em torno do “bem viver”, conceito de inspirações latino-americanas e afrodiaspóricas pela defesa de uma sociedade comunitária, que prioriza o cuidado, a dignidade, o respeito, a soberania e políticas coletivas que garantem direitos básicos, caminhando junto também com a ideia de investimentos. “Esse debate não era algo tão amplo e divulgado quando começamos essa mobilização. Hoje vemos que os dois conceitos já estão enraizados em nossa sociedade”, avalia Ingrid Farias, da Articulação Negra de Pernambuco.

Farias completa que o avanço nos processos de formação política é um dos saldos das mobilizações em Pernambuco. “Essa reflexão crítica racial é um grande legado que fica, assim como a forma que as pernambucanas se organizaram para estar na marcha. Desejamos que essa agenda política da Marcha (‘por acessórios e bem viver’) se torne uma agenda concreta na vida das mulheres e da sociedade”, completa.

O seu desejo ecológico no relato de Analba. “Fomos a Brasília mostrar nossa força política e capacidade de construir luta. Marchamos em defesa de um país onde existe o bem viver, um projeto de nação possível para a coletividade”, conclui.


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