Pontos-chave
- Lula condenou o ataque dos EUA na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, pedindo uma resposta forte da ONU.
- Os líderes se dividiram: Petro, Sheinbaum, Boric e outros denunciaram o ataque; Milei, Noboa e o presidente eleito do Chile, Kast, deram as boas-vindas.
- A fronteira do Brasil e a carga migratória da região elevam os riscos para além da política.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou Washington de violar a soberania da Venezuela depois que as forças dos EUA bombardearam alvos dentro do país e capturaram o presidente Nicolás Maduro.
Lula disse que a ação ultrapassou “uma linha inaceitável”, estabeleceu um “precedente perigoso” e lembrou o histórico de interferência externa na região.
Ele exigiu uma resposta “vigorosa” por meio das Nações Unidas e ofereceu ao Brasil diálogo e cooperação.
A administração Trump enquadrou a operação como uma missão de segurança. Autoridades dos EUA citaram a autodefesa nos termos do Artigo 51 da Carta da ONU e descreveram o alvo como uma ameaça de “narcoterrorismo”, em vez de uma tentativa de escolher a dedo o próximo governo da Venezuela.


Lula diz que EUA cruzaram “linha inaceitável” na operação na Venezuela
As reações da América Latina chegaram rapidamente. Gustavo Petro, da Colômbia, condenou o ataque, convocou uma sessão de emergência do Conselho de Segurança e ordenou destacamentos em direção à fronteira venezuelana; Claudia Sheinbaum, do México, e Gabriel Boric, do Chile, também rejeitaram a intervenção.
O Paraguai e o Panamá apelaram a uma transição ordenada, o Uruguai criticou a greve ao mesmo tempo que reiterava os abusos da era Maduro, e a Guatemala apelou para a Carta da ONU.
Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador, saudaram a prisão de Maduro, e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, pediu o desmantelamento de todo o aparato do regime.
Na ONU, o Secretário-Geral António Guterres alertou para um precedente perigoso; A Venezuela e a Colômbia procuraram medidas de emergência, tendo a Rússia e a China também apelado ao envolvimento da ONU.
As consequências operacionais surgiram rapidamente: a Venezuela fechou brevemente uma passagem importante para o Brasil antes de reabri-la.
Roraima – ponto de entrada para cerca de 70% dos venezuelanos que chegam ao Brasil – não relatou nenhum aumento imediato na época.
O cenário é vasto: quase 8 milhões de venezuelanos partiram desde 2018 e cerca de 85% permaneceram na América Latina e nas Caraíbas.
Para o Brasil e seus vizinhos, o risco é que um choque jurídico se transforme num choque fronteiriço e de deslocamento.