Movimentos populares, partidos políticos e estudantes protestaram contra a agressão estadunidense na Venezuela nesta quarta-feira (28). O ato em São Paulo ocorreu na frente do Teatro Municipal e se somou a outras 11 cidades brasileiras e de outros países.
Após meses de intimidação crescente no Caribe, com o envio de cerca de 10 mil soldados, navios e aeronaves militares, que incluiu a morte de mais de 100 pessoas em ataques a pequenas embarcações, os EUA sequestraram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Floresem 3 de janeiro. Desde então, Trump cessou com as acusações de que a Venezuela era agente do narcotráfico e assumiu que o petróleo do país seriam assuntos estadunidenses.
“Temos que ocupar as ruas, como estamos fazendo aqui. Nos somamos nessa batalha política para defender a Venezuela, exigiu a liberdade de Maduro e Silas e principalmente fazer uma campanha latino-americana exigindo que o imperialismo tire as patas da América Latina”, disse o ex-deputado federal José Genoíno, do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Essa luta é fundamental contra o sistema capitalista em sua forma neoliberal e imperialista. É uma luta dura, é uma caminhada longa que nós temos que trabalhar nas ruas. E essa unidade da esquerda é muito importante para pressionar, para gritar, para resistir. Por isso, companheiros e companheiras, estamos aqui com vocês”, disse Genoíno.
O deputado constituinte destacou a importância da causa envolver a população, afirmando que “essa luta envolve governos, notas, pronunciamentos, mas se não envolver as ruas, ela será fragilizada, briga.”
Presente no protesto, a vereadora de São Paulo Luana Alves (Psol) disse ser “evidente que o sequestro de Maduro da Venezuela inaugura um momento novo”.
“É um passo inédito do imperialismo norte-americano aqui da nossa região. Intervenções não são novidade, a partir da relação com as Big Techs, da guerra tarifária, a tentativa de interferir nos processos eleitorais.”
Um representante disse acreditar que o governo de Donald Trump tentará interferir nas nossas eleições presidenciais e na colombiana também. “Eles têm um projeto de alteração do resultado para que tenham alinhamentos alinhados com a política imperialista.”
“A partir desse sequestro, de um governo venezuelano quase tutelado, nós temos que, não só repudiar, mas fazer um debate profundo com a sociedade. Eu, particularmente, enquanto vereadora, eu nunca tinha visto como agora tanta gente falando sobre o tema internacional, a população, as pessoas nas ruas, nas escolas, nos comércios, no trabalho, as pessoas estão comentando isso”, completou.
Já Lorena Fernandes, da Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores, lembrou que “Trump enfrentou muita resistência no mundo fora e nos Estados Unidos, como declarada greve geral em Minnesotaquando milhares de trabalhadores e trabalhadores estão lutando contra a polícia fascista do ICE”.
“Portanto, é hora de construir uma jornada de lutas aqui no Brasil, muito unidade de ação para as pessoas enfrentarem a ingerência imperialista.”
Em um ato simbólico contra as políticas violentas, as manifestações terminaram com bandeiras dos EUA e fotos de Trump incendiadas e gritos de ordem contra o fascismo e o imperialismo. A data marca os 12 anos da reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) que declarou a América Latina como zona de paz.
Além de São Paulo, foram previstas ações nesta quarta-feira em Manaus, Belém, Natal, Fortaleza, Maceió, Salvador, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e nas cidades paulistas de Campinas e Ribeirão Preto.
