Pergunta do quiz: quem é o jogador mais velho do Mundial de Clubes?
Francesco Acerbi ou Lionel Messi? Ambos a 37. Milhas de distância, desculpe. Franco Armani (38) e Luka Modric (39) estão mais próximos. Thiago Silva, ainda forte aos 40 anos pelo Fluminense, seria um bom palpite. Ainda seria errado.
Não, o prêmio vai para Fabio Deivson Lopes Maciel. Quando começar no gol do Fluminense contra o Borussia Dortmund, na terça-feira, ele completará 44 anos e 260 dias.
É um número incrível. Aqui está uma ainda melhor: será a 1.375ª participação competitiva sênior de sua carreira. Não, sério. Leia essa frase novamente e deixe-a penetrar. 1.375 jogos. Isso não é um currículo; é um edifício.
Fábio já ocupa o segundo lugar na lista dos maiores artilheiros da história do futebol. Ele ultrapassou Gianluigi Buffon e Rogério Ceni, ultrapassou Barry Hayles e Paul Bastock. (É preciso dizer que é uma lista profundamente intrigante.) Cristiano Ronaldo tem lutado bem, mas permanece no retrovisor, ao som de mais de 100 partidas. Agora, resta apenas um alvo.
Peter Shilton é o líder do clube aqui desde que alguém gostaria de lembrar. Ele faz referência a isso na seção de biografia de sua conta X e fala sobre isso em entrevistas. O registro faz parte de sua identidade.
Também é bastante lanoso. O Guinness World Records diz que Shilton fez 1.390 aparições na carreira. Shilton acredita que o número é de 1.387, embora isso possa incluir jogos pela seleção sub-23 da Inglaterra. Retire isso da equação e a contagem poderá chegar a 1.374. O que, claro, colocaria Fábio no mesmo nível dele antes da partida de terça-feira.
Fábio desmente Gonzalo Plata, do Flamengo, nesta temporada (Buda Mendes/Getty Images)
Na ausência de uma análise forense dos primeiros anos de Shilton, provavelmente é aconselhável cautela. O Fluminense está jogando pelo seguro; eles estão trabalhando no próprio número de Shilton e planejam comemorar o feito de Fabio daqui a algumas semanas.
Uma coisa é certa, porém: ele chegará lá. Fabio fará 45 anos em setembro, mas não há indícios de que o tempo esteja se esgotando. Ele ainda é o número 1 indiscutível do Fluminense, ainda um dos melhores goleiros do Brasil. Em maio, ele assinou um novo contrato que o levará até o final de 2026.
O recorde de Shilton está em tempo emprestado. As alturas vertiginosas dos anos 1.400 acenam.
Fábio estreou profissionalmente em 1997 por um time que não existe mais. Disputou 30 partidas pelo União Bandeirante, depois 150 pelo Vasco da Gama, conquistando o Campeonato Brasileiro em 2000.
Foi no Cruzeiro, porém, que Fábio realmente se acomodou. Entre 2005 e 2021, ele fez 976 partidas pelo clube de Belo Horizonte – 343 a mais do que qualquer outro jogador em sua história. Ele foi o capitão de títulos consecutivos da liga em 2013 e 2014. “A Parede Azul”, os fãs o chamavam. Os grevistas da oposição geralmente optavam por algo um pouco mais profano.
Nem tudo foi fácil. Seu pior momento ocorreu em 2007, quando ele descuidadamente deu as costas ao jogo na final do Campeonato Mineiro, permitindo que o atacante Vanderlei, do Atlético Mineiro, chutasse para a rede vazia. Eles estavam perdendo por 3 a 0, mas foi um grande erro, ainda pior por ter enfrentado o maior rival do Cruzeiro. Por um tempo, parecia que isso poderia prejudicar toda a sua carreira.
“Isso me bagunçou”, ele explicou mais tarde. “Perdi completamente todo o senso de razão. Achei que esse objetivo me definiria para sempre.”
Na sequência disso, Fábio voltou-se para Deus. Hoje, ele polvilha cada entrevista com referências à sua fé. O mesmo aconteceu em 2014, quando admitiu que pensava em se aposentar no final do contrato.
“Se for a vontade de Deus que eu pare em 2016, ficarei satisfeito”, disse ele. “Não será uma surpresa para mim.”
Fábio é profundamente religioso (Miguel Schincariol/Getty Images)
Onze anos depois, ele ainda está transportando caminhões. O kit mudou – o Cruzeiro o dispensou no final de 2021, para seu desgosto – mas ele ainda é o goleiro ultraconfiável que emergiu dos destroços daquele derretimento cerebral inicial. Caso em questão: seu papel de protagonista na vitória do Fluminense na Copa Libertadores de 2023, que carimbou o passaporte para esta viagem aos EUA
Ele assumiu um papel mais de liderança, dando o tom com seu profissionalismo.
“Ele é um gênio, espetacular”, disse Fernando Diniz, o técnico que idealizou esse sucesso na Libertadores, em 2023. “Ele é uma pessoa leve, positiva, um líder querido por todos. Ele merece todos os elogios que recebe.”
O segredo da longevidade de Fabio? Ignorando a sabedoria convencional.
Treinamento de resistência? Fabio não faz musculação. Massagens? Fábio não gosta disso. Priorizando o descanso acima de tudo? Errar…
“Normalmente durmo cerca de três horas por noite”, disse Fábio à Globo no ano passado. “Não é muito, mas é o suficiente para me recuperar.”
Qualquer pessoa que queira imitá-lo faria melhor se concentrar em sua mentalidade. Era uma vez, Fábio desabafava sobre não ter chance com a Seleção Brasileira – uma reclamação nada descabida, mas que ele parecia incapaz de abrir mão. Hoje, porém? Ele parece inteiramente em paz com sua sorte, um estadista mais velho aproveitando o longo final de sua carreira.
“Gerações inteiras de jogadores com quem joguei pararam”, disse ele à TV Fluminense em março. “Eu nunca poderia ter imaginado esta carreira quando era criança. Só Deus poderia ter tornado isso possível.”
E o marco de Shilton? “Agradeço todos os elogios”, disse Fábio. “Mas nunca pensei em discos e ainda hoje é a mesma coisa. Só quero aproveitar isso ao máximo.”
(Foto superior: Wagner Meier/Getty Images)