‘Esquina Caliente’ e atividades culturais: como a base chavista se mobiliza em defesa de Nicolás Maduro – Brasil de Fato

‘Esquina Caliente’ e atividades culturais: como a base chavista se mobiliza em defesa de Nicolás Maduro – Brasil de Fato


Há quase um mês, apoiadores do chavismo permaneceram mobilizados em defesa da libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores. Na Esquina Caliente (Esquina Quente, em português), ponto simbólico situado ao lado da Assembleia Nacional, militantes passam o dia debatendo política e defendendo a continuidade do projeto iniciado por Hugo Chávez.

Com banners de Maduro pendurados em torno de uma pequena tenda vermelha, a mobilização ocorre de forma discreta. Durante a tarde, militantes se sentaram em cadeiras de plástico e conversaram sobre o cenário político.

Ó Brasil de Fato presencia um debate acalorado entre dois apoiadores. Um deles reclamava que a mobilização já se prolongava além do necessário e que era hora de encerrar a vigília. “Ele é nosso presidente. Temos que defendê-lo”, rebateu um militante, que pediu para que o companheiro se sentasse. Após alguns minutos, o grupo retomou o habitual dos diálogos.

A militante que se acordou como Miriam Bolívar apenas observou a discussão. Ele define um Esquina Caliente como “a esquina de onde a gente se expressa”. Segundo relatado, o grupo permanece ali diariamente, das 9h às 19h. “Estamos todos os dias. E agora ainda mais. Porque o povo tem que estar na rua, temos que estar em movimento. Estamos doloridos? Sim, mas estamos aqui.”

Miriam explica que a rotina do espaço inclui conversas e debates sobre o momento político do país e o papel que os militantes julgam ter neste processo. Questionado sobre o objetivo da mobilização, afirmou: “Queremos ver nosso presidente e fazer um chamado aos povos do mundo, todos unidos para esmagar esse império que tanto dano nos fez.”

Em frente à Esquina Caliente, na praça Simón Bolívar, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) Além de uma estrutura que agora é a sede permanente de mobilizações em defesa da libertação de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. No centro da praça, um palco abriga apresentações musicais e discursos.

As atividades se concentram no período da tarde, quando o público se aproxima para assistir aos shows ou para acompanhar os discursos. Às 18h, as atividades são encerradas. No telão montado em cima do palco, há uma contagem dos dias transcorridos desde o sequestro do casal presidencial. Embaixo da estátua do libertador da Venezuela, uma caixa transparente foi colocada para que simpatizantes depositem cartas de apoio dirigidas a Maduro e Cilia.

Sandra Díaz era uma das pessoas que escreviam cartas no momento em que a reportagem estava no local. Com um sorriso no rosto, ela relatou que buscou transmitir sua inconformidade com a ausência do presidente.

“Escrevi que estamos com saudade e que precisamos dele de volta aqui. Que às vezes nos sentimos tristes, às vezes sentimos raiva. Nos parece uma injustiça. E nos parece que ele deu sua vida para defender o povo, porque se havia um enfrentamento militar, neste momento estaríamos contando milhares de mortes.”

Entre o vai e vem de militantes, o PSUV mantém uma programação diária para sustentar a presença de apoiadores na praça e reforçar o discurso de que o país está unidade em defesa da libertação do casal presidencial. Um dos responsáveis ​​pela organização do espaço afirmou ao Brasil de Fato que a estrutura permanecerá no local “até segunda ordem”.


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