O Irã vive uma onda de protestos iniciada ainda no último mês de dezembro. A insatisfação com uma inflação superior a 40% em 2025, aliada a uma desvalorização histórica do rial, a moeda local do país, levou muitas pessoas às ruas. Os protestos ganham força também graças à pressão internacional especialmente do presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
O analista de geopolítica Marco Fernandes explica que a situação do país do Oriente Médio tem forte impacto de avaliações sofridas há quase cinco décadas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, as potências ocidentais atuam contra o país. Em 2025, as Nações Unidas restabeleceram medidas punitivas que congelaram bilhões de dólares em ativos iranianos no exterior, após o conflito de 12 dias com Israel.
“O rial perdeu 60% de seu valor desde o fim de setembro, por conta do retorno das avaliações. Como elas são feitas via ONU, são muito mais duras e acabam tendo mais escrutínio por parte dos países”, destacou Fernandes, que participou da segunda edição do jornal Conexão BdFpai Rádio Brasil de Fatonesta sexta-feira (9).
Os cidadãos do país expressam no dia a dia os efeitos da crise econômica. Os preços dos alimentos subiram mais de 70%; insumos médicos, acima de 50%. “Isso tudo junto, é uma bomba relógio. Uma situação econômica, que já era ruim, piora; uma inflação que bateu 42% em 2025; e mais esse clima de tensão, uma possibilidade de guerra, as pessoas ‘explodiram'”, relatou Fernandes.
O cenário, porém, pode piorar. A pressão de Trump não ficou sem resposta. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que há uma conspiração arquitetada por inimigos externose criticou os manifestantes, acusando-os de agirem a serviço do governo estadunidense.
“É uma receita perigosa. E estamos vivendo isso dias depois do ataque à Venezuela. A gente percebe que o império está numa verdadeira guerra relâmpago contra seus inimigos e contra os aliados estratégicos da Rússia e da China”, alertou Fernandes.
Khamenei convocou o país à unidade em meio às ameaças externas. Ainda não está claro se o chamado surtirá efeito semelhante ao sentido em meio ao confronto com Israel em 2025.
“Quando houve a guerra dos 12 dias, muita gente que era crítica à revolução islâmica, passou a defender por ver que havia uma ameaça sionista e dos Estados Unidos”, lembrou o analista.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98,9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube faz Brasil de Fato.