O corpo do padre Camilo Torres Restrepo, desaparecido há quase 60 anoss, foi localizado na Colômbia pela Unidade de Busca de Pessoas Dadas por Desaparecidas (UBPD). O anúncio oficial, feito na sexta-feira (23), veio após a divulgação de um comunicado do Exército de Libertação Nacional (ELN)que antecipou a informação e afirmou que o governo colombiano já havia identificado os restos mortais, mas manteve o caso em sigilo.
Torres morreu em 15 de fevereiro de 1966, no município de San Vicente de Chucurí, durante seu primeiro combate como guerrilheiro do ELN. Desde então, o desfile de seu corpo era desconhecido. A confirmação recente coloca fim a uma das maiores incógnitas do conflito colombiano.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou que o corpo do sacerdote será “respeitado e depositado com honras como fundador da Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional e como fundador da teologia da libertação no mundo. Sacerdote e revolucionário”.
A busca pelos restos mortais de Camilo Torres foi iniciada oficialmente em 2019, após solicitação à UBPD. Os avanços mais relevantes ocorreram nos dois últimos anos, com o uso combinado de técnicas forenses, geomáticas (processamento de dados espaciais) e análise documental.
Figura simbólica na história política da Colômbia, Camilo foi um dos fundadores da Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional, onde atuou também como capelão. Em 1965, aderiu ao ELN, motivado pela crença de que a transformação social provoca ruptura com as estruturas tradicionais de poder.
Ó ELN é a última guerrilha histórica de esquerda ativa na Colômbia. Segundo nota do grupo, a decisão de divulgar o achado foi motivada pelo silêncio do governo. Em nota assinada pelo Comando Central, o grupo afirma que o corpo do comandante foi identificado e será encaminhado para a Universidade Nacional, “onde será depositado com dignidade”.
A cerimônia de entrega, segundo a UBPD, será inicialmente restrita a familiares e pessoas próximas.