Copa América Feminina altera regras de treino após protestos do Brasil

Copa América Feminina altera regras de treino após protestos do Brasil


A CONMEBOL, órgão máximo do futebol sul-americano, informou aos times que disputam a Copa América Feminina que todos os jogadores terão agora acesso aos campos para aquecimento pré-jogo, de acordo com um memorando revisado pela O Atlético.

A mensagem foi enviada às equipes na noite de quinta-feira, após críticas generalizadas no dia anterior de jogadores brasileiros, incluindo Marta, seis vezes melhor jogadora do ano da FIFA, sobre os regulamentos do torneio que exigem que os jogadores se aqueçam em uma pequena área coberta ao lado de seus adversários.

“A partir de agora, além dos goleiros que já fizeram aquecimento em campo de 15 minutos, será habilitada a possibilidade de que os jogadores de campo também possam se aquecer em campo no mesmo período de tempo”, diz o memorando. “Após uma extensa avaliação do estado dos campos de jogos dos estádios da competição até o momento e também considerando o feedback recebido de algumas equipes participantes, a CONMEBOL decidiu implementar um ajuste nas operações pré-jogo.”

A mudança no meio do torneio ocorre depois que as jogadoras criticaram publicamente a confederação e os organizadores no Equador sobre as condições de aquecimento do torneio, que é considerado o principal evento do futebol feminino sul-americano.

Imagens circularam nas redes sociais, com um vídeo postado pela Dibradoras, empresa de mídia brasileira que cobre esportes femininos, mostrando jogadoras brasileiras e bolivianas se aquecendo juntas em um espaço confinado antes do jogo de quarta-feira à noite.

O torneio implementou o sistema original para evitar danos ao campo do Estádio Gonzalo Pozo Ripalda, que sediou jogos consecutivos na quarta-feira.

“Já faz muito tempo que não jogo um torneio aqui na América do Sul e estamos tristes com essas situações”, Marta, 39 anos, disse ao canal brasileiro Globo Esporte. “(A CONMEBOL) exige dos atletas desempenho e alto nível de trabalho, mas também exige alto nível de organização. Temos o direito de exigir organização.

“Esta situação é realmente perturbadora. Não havia espaço suficiente para ambas as equipes, mas ambas queriam estar lá para se preparar. Eu realmente não entendo por que não podemos nos aquecer em campo. Isso ainda é um problema para nós porque está muito quente aqui, com a altitude. Esperamos que a CONMEBOL reverta alguns dos problemas e melhore as coisas.”

O técnico do Brasil, Arthur Elias, indicou anteriormente que esta configuração limitava sua capacidade de avaliar os jogadores antes de decidir sobre seu 11 titular. Em parte, foi por isso que Kerolin, de 25 anos, esteve ausente da escalação do Brasil no jogo de estreia contra a Venezuela. O atacante do Manchester City, que foi o jogador mais valioso da NWSL em 2023, marcou três gols na vitória do Brasil por 6 a 0 sobre a Bolívia.

“Infelizmente estamos numa competição onde as equipes não aquecem em campo” Elias falou sobre a ausência inicial de Kerolin. “Ou seja, eles não aquecem o futebol, aquecem outros movimentos….É mais ou menos o tamanho desta sala. Só podemos aquecer os titulares. Não podemos aquecer nem os reservas.

“Não são gestos que fazem parte do jogo. Não há muita troca de passes, não há intensidade que se consiga alcançar porque o espaço é pequeno, então não aquecem como o jogador de futebol tem que aquecer para treinar.”

O meio-campista brasileiro Ary Borges, que joga no Racing Louisville FC da NWSL, ecoou críticas semelhantes após a vitória do Brasil contra a Bolívia, pedindo diretamente melhorias ao presidente da CONMEBOL, Alejandro Domínguez. Borges compartilhou suas queixas, incluindo a falta de sistema de árbitro assistente de vídeo (VAR) na fase de grupos, com a comentarista e ex-jogadora Francielle Alberto.

“Estamos disputando uma competição que vale vaga nas Olimpíadas… e não temos VAR nos jogos, não podemos entrar em campo num jogo contra a Venezuela sem saber como (é) o campo”, disse Borges, “O pior de tudo, (estamos) aquecendo em um campo sintético, (sobre) cimento, num espaço de 10, 15 metros, fedendo a tinta, porque parece que pintaram o estádio lá dois dias, um dia antes.

“Então, é muito difícil, porque ano passado tivemos uma Copa América masculina em bons momentos, em bons estádios e a gente vê… esse descaso com o futebol feminino e é uma pena.”

Ao falar ao Globo Esporte, Borges acrescentou: “Pergunte (ao Domínguez) se ele poderia se aquecer num espaço de 5 a 10 metros com cheiro de tinta. Acho que tivemos o exemplo da Copa América masculina, com uma estrutura enorme. Por que o torneio feminino está tendo esse tipo de coisa?”

O Brasil é o atual campeão da Copa América Feminina e é oito vezes vencedor da competição. O espetáculo deste verão ganha ainda mais importância com a Copa do Mundo feminina de 2027 chegando à América do Sul pela primeira vez, com o Brasil como anfitrião do torneio.

(Foto de Marta: Franklin Jacome/Getty Images)




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