Conheça Jhon Arias – um novo herói do futebol

Conheça Jhon Arias – um novo herói do futebol


“Sou um sonhador”, disse Jhon Arias, o extremo colombiano de fala mansa que se destacou como um dos jogadores de destaque nesta Copa do Mundo de Clubes.

Em Charlotte, na noite de segunda-feira, alguns de seus companheiros de equipe – O goleiro Fábio, de 44 anoscapitão Thiago Silva, de 40 anos – caiu de joelhos de júbilo quando o apito final confirmou a vaga do Fluminense nas quartas de final. Arias foi mais reservado, aceitando discretamente os parabéns dos colegas, mas ainda encontrando tempo para agradecer aos árbitros.

Quando ele se autodenomina um sonhador, ele está falando sério. Em campo, ele joga com fantasia. Fora dele, quando seus companheiros estão jogando videogame, ele prefere se perder em um livro. Como colombiano, ele é atraído pelo realismo mágico do falecido Gabriel Garcia Márquez, que procurou misturar o fantástico com situações mundanas ou tristes.

A Copa do Mundo de Clubes deste verão pode ser vista como um desses cenários: um torneio pouco apreciado, expandido além de qualquer razão e espremido em uma lacuna quase imperceptível no calendário do esporte, partidas disputadas sob um calor sufocante em estádios vastos, mas muitas vezes pouco povoados, nos Estados Unidos. Por mais divertidos que tenham sido alguns dos confrontos – Os jogos eliminatórios de segunda-feira em particular — não tem sido fácil superar uma sensação de desconexão.

Mas Arias e seus companheiros trouxeram uma pitada liberal de fantasia. Numa época em que o poder financeiro do futebol europeu vê os clubes sul-americanos considerados azarões — o que antes seria impensável — o Fluminense chegou agora às quartas de final, derrotar o Inter, finalista da UEFA Champions League, por 2-0. Pela terceira vez em quatro participações neste torneio, Arias, um conjunto incomum de habilidade, velocidade, força e criatividade, ganhou o prêmio da FIFA de melhor jogador do esporte.

Seria errado chamá-lo de desconhecido quando ele foi um dos jogadores de destaque do futebol brasileiro nas últimas temporadas e fez parte da seleção colombiana que chegou à final da Copa América do ano passado, mas sua trajetória profissional, marcada por seu impacto nesta Copa do Mundo de Clubes aos 27 anos, é uma espécie de retrocesso.


Thiago Silva deixa as emoções fluírem após vencer o Inter (Grant Halverson – FIFA via Getty Images)

O desequilíbrio económico do futebol do século XXI significa que os clubes europeus abocanham a maior parte dos maiores talentos da América do Sul no final da adolescência ou no início dos vinte anos. Outros são contratados um pouco mais tarde, rumo a uma liga europeia menor, na esperança de chegar a um dos maiores clubes. Hoje em dia, muitos acabam na Arábia Sauditaganhando somas que estariam além de suas esperanças na América do Sul.

Por outro lado, Arias ainda jogava na Colômbia, tendo se transferido do Patriotas para o America de Cali e para o Santa Fe, quando seu aniversário de 24 anos se aproximava. Ele havia conquistado o título do campeonato colombiano em Cali e disputado a Copa Libertadores, o equivalente sul-americano à Liga dos Campeões, mas não representou seu país em nenhum nível. Isso chama a atenção uma linha que Jack Lang escreveu neste artigo maravilhoso sobre outro desenvolvedor colombiano, o ala do Liverpool, Luis Diazque “parecia ser um dos homens do tipo ‘se’ do futebol – um bilhete de loteria premiado perdido no encosto de um sofá”.

De um ponto de vista privilegiado na Europa, onde os clubes estão tão determinados a contratar o próximo grande sucesso da América do Sul, pode ser fácil imaginar que esses bilhetes de loteria premiados não existam em 2025. O futebol não é como era em 1987, quando o grande meio-campista colombiano Carlos Valderrama, até então desconhecido do público europeu, iluminou a Copa América e foi transferido para o clube francês Montpellier aos 27 anos.

Mas Diaz foi um bilhete de loteria premiado para o Porto, que o vendeu ao Liverpool com um lucro enorme. E Arias provou ser uma aquisição maravilhosa para o Fluminense, parte integrante do time que conquistou o primeiro título da Copa Libertadores do clube em 2023 e um dos jogadores mais influentes do Brasil nas últimas temporadas. Ele está firmemente estabelecido na seleção colombiana, ajudando-a a chegar à final da Copa América do ano passado.

Neste verão, Arias se destacou na Copa do Mundo de Clubes. Após a excelente atuação contra o Inter, as redes sociais do Fluminense o elogiaram como “um dos melhores jogadores da história deste clube”.

Ele disse aos repórteres o quanto significava vencer o Inter – não apenas para o Fluminense, mas para todo o Brasil, toda a América do Sul, principalmente a cidade colombiana de Quibdo, onde cresceu.

“Não é fácil chegar ao topo quando se vem de uma área com poucas oportunidades”, disse Arias aos repórteres após a vitória sobre o Inter. “Toda vez que entro em campo tenho consciência disso, das oportunidades de construir uma vida melhor, é um sonho que tenho desde criança.

“Estamos vivendo um momento maravilhoso e incrível no Fluminense. Minha família não entende bem o que está acontecendo, mas são lembranças que minha filha vai ficar muito feliz e com muito orgulho no futuro. Sei que tenho muita responsabilidade porque muitas crianças vêm de vidas difíceis, de contextos difíceis, e me olham e me veem como um modelo, como uma referência.”


Arias diz que sente uma responsabilidade para com a próxima geração (Image Photo Agency/Getty Images)

Mais uma vez, ele falou sobre sonhar, sobre “a vontade de fazer história” com o Fluminense, mas também sobre permanecer “humilde” e respeitar cada adversário que enfrenta.

“Fizemos tudo certo”, disse ele sobre a vitória sobre o Inter. “Um dos nossos pontos fortes é que jogamos com sinceridade. Estávamos jogando contra um dos finalistas da Liga dos Campeões, mas sabíamos como enfrentar o desafio, como correr quando era necessário, como manter a bola quando era necessário e como aproveitar as oportunidades quando elas surgiam.”

Arias não marcou, mas teve participação destacada no gol inaugural do Fluminense aos três minutos, que German Cano cabeceou para casa após uma defesa ruim do Inter, e o lateral esteve no centro de tudo o que eles fizeram. No primeiro tempo, ele colocou a torcida de pé com uma habilidade escandalosa na linha lateral, enganando Alessandro Bastoni, um dos zagueiros centrais mais cobiçados da Europa, e Henrikh Mkhitaryan. Ele também estendeu o goleiro do Inter, Yann Sommer, ao máximo com alguns chutes perigosos de fora da área.

As cenas finais, depois que o reserva Hércules garantiu a vitória com um gol nos acréscimos, estavam entre as mais animadoras do torneio: os jogadores do Fluminense saltitando alegremente uns com os outros e com seus torcedores estridentes – muitos deles expatriados brasileiros nos EUA, mas muitos outros viajaram do Rio de Janeiro. “Os torcedores amam o clube”, disse Arias, “e isso é recíproco”.

Ele chamou de “momento mágico” para o clube, para o Brasil, para a América do Sul, algo maravilhoso. Era possível ver a emoção nos rostos de Silva e Fábio, os dois estadistas mais velhos do time, e entre seus torcedores, jovens e velhos.

Arias parecia mais reflexiva, sorrindo, absorvendo, vivendo o sonho e, diante de uma escassa multidão em Charlotte, feliz por continuar fazendo a magia e tecendo as histórias que este torneio precisa.

(Foto superior: Steph Chambers – FIFA/Getty Images)


Previous Article

ASSISTIR: Amad acena para o Manchester United na frente contra o Bournemouth em um presente de despedida antes de embarcar para a AFCON

Next Article

PSG e Real Madrid esperam tentar o alvo defensivo do Liverpool com altos salários

Write a Comment

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subscribe to our Newsletter

Subscribe to our email newsletter to get the latest posts delivered right to your email.
Pure inspiration, zero spam ✨