Com a candidatura à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) praticamente consensual entre aliados em São Paulo, as articulações da direita avançam agora sobre a composição da chapa majoritária, com indicativos cada vez mais claros para vice-governador e para as duas vagas ao Senado em 2026.
No desenho que vem ganhando corpo nos bastidores, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), desponta como favorito para ocupar a vaga de vice. Seu nome chegou a ser cogitado em outros cenários, especialmente caso Tarcísio deixou o governo para disputar a Presidência da República. Com Flávio Bolsonaro (PL) consolidado como aposta do campo bolsonarista na corrida nacional e os republicanos mantêm a cabeça de chapa estadual, coube ao PL indicar o vice, em uma decisão técnicas nas mãos do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
A disputa pelo Senado também entrou em nova fase. Em 2026, cada estado elegerá dois representantes. Pela esquerda a expectativa é de que o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT)entre na corrida para fortalecer a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa. Outro nome cogitado é o da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que pode deixar seu partido, Rede, e voltar para o PT.
No campo conservador, o cenário mudou após Eduardo Bolsonaro (PL), até então tratado como nome natural para uma das vagas, perder o mandato do deputado federal por excesso de faltas durante sua permanência nos Estados Unidos. Fora do páreo, o espólio político associado ao sobrenome passou a ser disputado por diferentes quadros de direita.
No PL, os nomes citados com frequência para o Senado são do deputado estadual Gil Diniz, do deputado federal Marco Feliciano e do vice-prefeito da capital, coronel Mello Araújo. As previsões de cada um, porém, seguem atreladas às negociações com partidos aliados e ao arranjo nacional da legenda.
Até o momento, quem aparece com maior densidade política é o deputado federal Guilherme Derrite (PP). Ex-secretário de Segurança Pública, Derrite construiu mansão com o entorno de Tarcísio e com lideranças conservadoras enquanto esteve à frente da pasta, apesar das críticas sobre os índices de letalidade policial durante sua gestão. Desde o retorno à Câmara, tem ampliado a presença política e reforçado a movimentação para se consolidar como opção competitiva. O deputado foi relator do Projeto de Lei (PL) Antifacçãoquando protagonizou vários debates com o governo federal.
A aposta em Derrite se mantém mesmo após os atritos registrados entre os Progressistas e o Palácio dos Bandeirantes. Com o apoio formal do partido à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, passou uma circular a possibilidade de uma candidatura própria ao governo paulista. A direção estadual, presidida por Maurício Neves, chegou a mencionar alternativas como o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) e Filipe Sabará, ex-coordenador da campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo e atualmente à frente da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, além de cotado para se filiar ao PP.
Em nota recente, uma sigla afirmou que o reposicionamento devido de uma reavaliação da relação com o governo estadual, motivado pelo descontentamento de parte dos 54 prefeitos do partido em São Paulo e por reclamações recorrentes de parlamentares sobre falhas na interlocução com o Executivo.
O texto também cita dificuldades de comunicação e uma percepção de distanciamento entre o governo Tarcísio e a cúpula dos Progressistas, tanto no âmbito estadual quanto nacional. Reservadamente, porém, os dirigentes avaliam que as reflexões são mais um desgaste pontual na condução estadual do partido do que um rompimento efetivo nas costuras com a direção nacional.
Nesse tabuleiro ainda em montagem, o PSD de Gilberto Kassab segue como uma peça relevante nas negociações. Padrinho político do vice-governador Felício Ramuth, Kassab é descrito por aliados como um articulador experiente, que atua para aproximar Tarcísio de uma posição mais ao centro do espectro ideológico.
As definições finais sobre os nomes para a vice-governadoria e para o Senado, no entanto, ainda devem passar pela influência do dirigente, cuja capacidade de interlocução com diferentes campos políticos tende a pesar nas costuras que antecedem o fecho da chapa governamental.