O Carnaval em Olinda já começou, mas sua abertura mesmo só irá se concretizar nas primeiras horas de domingo (13). Quando o Homem da Meia-Noite chega ao Largo do Guadalupe, começa um ritual carnavalesco comandado por um patrimônio vivo centenário, em uma reunião de frevo e núcleos cujas origens ligam o litoral pernambucano ao interior cearense. O Cariri Olindense sai em cortejo a partir das 4 horas da manhã, desfilando símbolos, como uma grande chave e a figura de um velho carregando uma burra, misticismo e alegria.
Seu grande personagem é conhecido popularmente como Velho Cariri. Na realidade, não se trata de seu nome próprio de fato, mas sim da região do interior cearense de onde veio a inspiração dos cinco amigos que fundaram a troça em 1926. O grupo era fascinado pelos velhos que vinham do Sertão do Cariri, no Ceará, para comercializar produtos no Mercado de São José. O fascínio virou fantasia, desfilando pelas primeiras horas de domingo. Há um registro fotográfico do velho que elaborou o personagem, mas que tem seu nome desconhecido.
A chave, criada pelo funileiro Augusto Canuto, um de seus fundadores, simboliza a abertura do Carnaval. O gesto que demarca esse momento é a entrega do objeto ao Cariri pelo Homem da Meia-Noite, cuja fundação vem de uma dissidência do Cariri na década de 1930. Mas as diferenças foram superadas e hoje ambas somam forças na criação de memórias das mais encantadoras que se podem ter no Carnaval olindense.
O seu hino nasceu décadas depois de sua fundação, em 1959, com autoria desconhecida, hoje entoado não apenas em sua saída, mas durante todo o Carnaval.
Lá vem Cariri ali
Com o saco de pegar criança
Pegando menino e moça
Pegando tudo que a vista alcança
Cariri não tenho medo
Cariri tenho recebimento
Pega velha
Pega moço
Só não pega gente feio