Pontos-chave
- O Congresso aprovou o primeiro orçamento escrito por Milei, substituindo dois anos de autoridade de gastos prorrogada.
- O plano aposta em inflação de 10,1%, crescimento de 5% e superávit primário de 1,2% do PIB em 2026.
- Uma luta recente sobre a eliminação dos limites mínimos de financiamento legalmente protegidos, especialmente para a ciência e a tecnologia, mostrou onde ainda existe resistência.
Após uma sessão prolongada na sexta-feira, 26 de dezembro, o Senado da Argentina aprovou o orçamento de 2026 por 46-25, com uma abstenção.
A Câmara dos Deputados já havia aprovado e os senadores encaminharam sem alterar uma palavra.
É o primeiro orçamento redigido pela administração de Javier Milei a tornar-se lei desde que assumiu o cargo em dezembro de 2023.
Isso encerra uma solução alternativa complicada. A Argentina tinha executado os dois anos fiscais anteriores com orçamentos “reconduzidos” – autorizações antigas transportadas enquanto a inflação reescrevia o poder de compra real.
O Estado continuou a funcionar, mas o planeamento encolheu e a execução transformou-se numa negociação contínua.
As suposições económicas são a verdadeira manchete. O governo projecta uma inflação de 10,1% em 2026 – o que implica aumentos médios mensais inferiores a 1% – e um crescimento económico de 5%. O objectivo é um excedente fiscal primário de 1,2% do PIB.
Os resumos publicados do plano citam gastos totais próximos a 148 trilhões de pesos (cerca de US$ 102 bilhões), uma taxa de câmbio no final de 2026 em torno de 1.423 pesos por US$ 1, e previsões comerciais que apontam para um aumento nas exportações de 10,6% e nas importações, 11%.
Para os leitores estrangeiros, esses números são importantes porque enquadram a credibilidade da Argentina junto a investidores, fornecedores e vizinhos.


Argentina aprova primeiro orçamento de Milei, apostando em inflação baixa e superávit fiscal
Se a inflação realmente cair para dois dígitos, os contratos, os salários e os preços poderão desindexar e o capital poderá planear.
Caso contrário, o orçamento ainda é importante porque define prioridades sob pressão – e mostra até onde o governo irá para defender o equilíbrio.
O debate mais acirrado centrou-se no Artigo 30.º, que elimina os limites mínimos legais de investimento vinculados ao PIB, nomeadamente para a ciência e a tecnologia.
Os críticos alertaram que a mudança enfraquece os compromissos de longo prazo. O governo argumentou que fórmulas rígidas colidem com a sua regra fiscal, que Milei considerou inegociável.
Agora o teste passa dos votos para a execução.