“Não tem ninguém, absolutamente ninguém que coloque algum limite. É uma coisa inacreditável. Ninguém faz nada”. O comentário sobre o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, é o analista internacional Giorgio Romano, coordenador da pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), e ilustra o que ele mesmo chamou de “diplomacia da perplexidade”.
Romano, que participou nesta sexta-feira (9) do jornal Conexão BdFpai Rádio Brasil de Fatofalou sobre as ameaças feitas à Groenlândia (um território formalmente europeu, já que pertence à Dinamarca), reiteradas após o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O especialista lembrou que os Estados Unidos e as nações da Europa Ocidental são parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma aliança militar. O presidente dos EUA não parece se importar com isso.
“Como a Groenlândia faz parte da Dinamarca, faz parte da Otan. A Otan é para dar segurança a todos os seus membros, inclusive os Estados Unidos. O argumento é muito estranho, a não ser que ele não confie mais na Otan: ou seja, não confia nos aliados Europeus”, afirmou em entrevista ao jornal da Rádio Brasil de Fato. “Em algum momento é preciso cair a ficha da Europa e conversar com a China, e não seguir com essa política anti-China, porque senão é fichinha para o Trump dominar o mundo”.
Romano lembra que o interesse dos Estados Unidos na Groenlândia é antigo: vem pelo menos desde o século 19. Outros presidentes, como Andrew Johnson (que governou entre 1865 e 1869) tentaram adquirir o território, considerado estratégico por questões de segurança e de extração mineral. Trump não descartou a compra, mas também ameaçou atacar militarmente o território.
“Para obrigar a Dinamarca, a Groenlândia, a União Europeia, o que quer que seja, para negociação para explorar minerais críticos, talvez não fosse necessário ocupar militarmente a ilha, tem outras formas de fazer isso”, comentou o especialista. “A população da Groenlândia está totalmente desesperada. É uma coisa inimaginável: ameaçar com as forças armadas logo depois dessa incursão militar na Venezuela”.
A esperança internacional, segundo Romano, é que Trump perca maioria nas duas casas legislativas nas chamadas “eleições de meio de mandato”, que vão renovar parte do Senado e da Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados). “Se ele mantiver a maioria em ambas as casas, vai ser dureza”, resumiu o analista.
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