A lacuna de produtividade do Brasil assombra seu sonho de semana mais curta

A lacuna de produtividade do Brasil assombra seu sonho de semana mais curta


Pontos-chave

Os dados da OIT classificam o Brasil em 94º lugar entre 184 países em termos de produtividade do trabalho – menos de metade do nível do Japão, a economia mais fraca do G7. O Congresso está debatendo uma emenda constitucional para abolir o horário de trabalho 6×1 e reduzir o máximo de horas de 44 para 36 por semana.

Um estudo de um grupo de reflexão alerta que a reforma poderá eliminar 600 mil empregos formais e reduzir R$ 88 mil milhões do PIB.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, espera uma votação em plenário até maio, mas analistas dizem que tanto ele quanto o presidente Lula podem ganhar mais fazendo campanha com base na promessa do que aprová-la antes das eleições de outubro.

Milhões de balconistas de varejo, funcionários de restaurantes e funcionários de armazéns brasileiros conhecem o ritmo: seis dias de trabalho, um dia de folga, toda semana.

O Congresso está agora a decidir se vai acabar com isto – e o debate está a colidir com uma verdade incómoda. O Brasil não produz o suficiente por hora para tornar as semanas mais curtas indolores.

OIT os dados colocam o Brasil em 94º lugar entre 184 nações em produção por hora em paridade de poder de compra. Até o Japão, o mais fraco do G7, mais do que duplica esse valor. Os brasileiros trabalham em média 38,9 horas por semana, mas os trabalhadores na China, na Índia e no México trabalham muito mais, compensando as suas próprias quebras de produtividade com volume.

A lacuna de produtividade do Brasil assombra seu sonho de semana mais curta. (Foto reprodução na Internet)

Na segunda-feira, o presidente da Câmara Hugo Motta enviou uma emenda constitucional à comissão, lançando o processo legislativo. Ele espera uma votação até maio.

Proposta de corte na semana de trabalho desperta debate

A proposta reduziria gradualmente o limite de 44 para 36 horas até 2030 e garantiria dois dias de descanso consecutivos. Lula fez da reforma uma peça central de sua candidatura à reeleição.

Os críticos citam um estudo do Centro de Liderança Pública que estima mais de 600 mil empregos formais perdidos, uma queda de 2% na produção formal e um impacto no PIB de 0,7% – cerca de R$ 88 bilhões. Baseia-se na redução de 44 para 40 horas em Portugal, que aumentou os salários por hora em 9,2%, mas custou 1,7% do emprego e 3,2% das vendas.

Os defensores argumentam que os trabalhadores descansados ​​são mais produtivos. Mas com o crescimento da produtividade a registar uma média de apenas 0,5% ao ano desde 2016 – um terço da média dos mercados emergentes – a diferença parece estrutural.

A emenda precisa de 308 votos em dois turnos, e os analistas observam que tanto Lula como Motta poderão lucrar mais com a promessa do que com a política antes de Outubro.


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