Pontos-chave
- Uma cimeira no Panamá anunciada como “o Davos da América Latina” está a tornar-se um teste à influência de Lula.
- O programa envolve muitos acordos, mas o acontecimento chocante da Venezuela está a trazer a política de volta à discussão.
- Uma nova geração de presidentes focada no mercado está a forçar Lula a provar influência através de resultados.
A influência regional de Lula enfrenta um novo teste na “América Latina Davos” do Panamá
Lula chegou ao Panamá em busca de algo que já teve em abundância: o poder de definir a agenda. Ele voltou ao cargo prometendo que a região cooperaria mais em comércio e investimento.
Este fórum mostra como isso é difícil à medida que a liderança muda em toda a América Latina. O Fórum Econômico Internacional para América latina e as Caraíbas pretendem ser uma Davos regional.


A CAF, o banco de desenvolvimento por trás disso, disse que cerca de 2.500 líderes compareceriam. Os organizadores venderam-no como um motor de negócios: cerca de 150 compradores internacionais, 300 exportadores e mais de 4.000 reuniões individuais, criadas para ir além dos discursos e em direção às transações.
Então veio o evento que mudou o tom. Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram uma operação na Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. Lula condenou a medida como uma violação perigosa da soberania.
Divisão regional põe a integração à prova
Vários presidentes que se dirigiram ao Panamá elogiaram-no, considerando-o uma responsabilização atrasada. Esta é a primeira reunião de líderes desde aquela divisão, por isso cada aperto de mão carrega consigo um subtexto.
A resposta de Lula foi apoiar-se no pragmatismo e falar a linguagem dos projetos. Um momento chave foi uma reunião bilateral de aproximadamente 90 minutos com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
Posteriormente, Kast enfatizou a cooperação “entre estados” que deveria durar mais que as eleições. O Brasil destacou corredores de integração e rotas comerciais mais rápidas ligando a região a Chileportos do Pacífico, juntamente com discussões sobre energia e segurança.
Lula também mantém um canal aberto com Washington. Em 26 de janeiro de 2026, ele conversou por cerca de 50 minutos com Donald Trump e concordou em fazer uma visita.
À medida que a rivalidade entre os EUA e a China se intensifica e as fricções comerciais se espalham, os governos regionais enfrentam escolhas mais precisas em matéria de financiamento, cadeias de abastecimento e alinhamento diplomático, o que aumenta o valor de qualquer coordenação regional credível.
Por que isso é importante no exterior é simples. Se a região não conseguir alinhar regras, rotas e financiamento, os projetos abrandam e os prémios de risco aumentam.
Atingindo tudo, desde logística de commodities até nearshoring de fabricação. Se for possível, as cadeias de abastecimento ficam mais baratas, o investimento parece mais seguro e o crescimento torna-se mais fácil de financiar.