Pontos-chave
- A Fitch elevou a Bolívia de CCC- para CCC, sinalizando menor risco de inadimplência no curto prazo, e não segurança.
- A actualização assenta numa política mais rigorosa, no apoio multilateral e em menos bloqueios políticos ao financiamento estrangeiro.
- O fim dos subsídios aos combustíveis aliviou a pressão fiscal, mas desencadeou agitação e expôs reservas externas escassas.
A Fitch Ratings elevou a classificação de crédito soberano da Bolívia em um nível, de CCC- para CCC, depois que o governo tomou medidas que os mercados interpretaram como corretivas.
A mudança, anunciada em 16 de janeiro, reflete a visão de que o risco de reembolso no curto prazo diminuiu. Isso não significa que a Bolívia esteja fora de perigo.
A Fitch vinculou a mudança a três desenvolvimentos. As restrições políticas ao endividamento externo diminuíram, permitindo ao país procurar fundos com menos obstáculos internos.
O governo também avançou compromissos com credores multilaterais. Mais visivelmente, agiu no sentido de acabar com os subsídios aos combustíveis que se tinham tornado uma característica definidora do antigo modelo económico.


Fitch eleva a Bolívia um degrau, mas o país continua na zona de perigo
As autoridades argumentaram que esses subsídios se tornaram insustentáveis. O governo disse que o programa estava drenando cerca de US$ 10 milhões por dia.
Ele também disse que o combustível barato estava alimentando o contrabando para os mercados vizinhos. Para um país com falta de dólares, essa combinação tornou-se difícil de vender.
O ajuste pousou rapidamente na vida cotidiana. A Reuters informou que os preços do diesel saltaram de 3,72 para 9,80 bolivianos por litro. A gasolina premium passou de 3,74 para 6,96 bolivianos por litro.
Esse choque desencadeou bloqueios de estradas e greves, incluindo ações ligadas a grupos de transportes em La Paz e Santa Cruz. Os grupos trabalhistas e mineiros sinalizaram uma mobilização mais ampla.
A lógica da Fitch é direta. Subsídios mais pequenos podem reduzir o défice fiscal. O dinheiro multilateral pode ajudar a reconstruir as reservas, mesmo que lentamente. Juntos, isso pode reduzir a probabilidade de pagamentos perdidos.
Mas o CCC continua a ser um rótulo de advertência. Sinaliza um risco de crédito substancial e um cenário macroeconómico frágil. A Bolívia ainda enfrenta uma liquidez externa limitada e um caminho difícil para restaurar a confiança.
A política também importa. O presidente Rodrigo Paz tomou posse em 8 de novembro de 2025, prometendo estabilização após anos de tensão.
A Fitch rebaixou a classificação da Bolívia para CCC- em janeiro de 2025, citando reservas fracas, défices persistentes e escassez de moeda.
Para investidores e empresas, a mensagem é confusa. A disciplina política está de volta à mesa. No entanto, a margem de erro permanece estreita e a tolerância social já está a ser testada.