Pontos-chave
- Os militares do Equador afirmam estar a realizar operações permanentes de segurança interna nas províncias costeiras e nas Galápagos.
- A pressão visa portos, prisões, fluxos de armas e infraestruturas energéticas, à medida que o crime organizado luta por território.
- As autoridades citam a violência recorde em 2025 e novos ataques no início de 2026, enquanto os críticos debatem os limites da estratégia.
As forças armadas do Equador expandiram as operações de segurança interna nos corredores mais voláteis do país, um sinal de que o Estado está a recorrer mais à força para recuperar o controlo.
Numa atualização de 17 de janeiro, os militares disseram que estão conduzindo operações permanentes em Guayas, Esmeraldas, Manabí, El Oro e Galápagos.
A contagem dessa atualização incluiu sete operações antiterroristas e antiterroristas. Também listou 19 operações de controle de armas, munições e explosivos, além de três operações de patrulhamento fluvial em hidrovias.


Equador envia tropas para portos, prisões e locais de petróleo enquanto o número de assassinatos aumenta novamente
Os militares afirmaram também ter realizado quatro operações de apoio com a Polícia Nacional e a agência prisional SNAI dentro dos centros de detenção.
Além de ataques e postos de controle, o foco é a infraestrutura estratégica. As Forças Armadas citaram patrulhas em instalações portuárias e outras “zonas estratégicas”, além de ações de segurança ligadas ao setor de hidrocarbonetos.
Estas prioridades determinam onde a economia criminosa do Equador encontra o comércio global. Os portos são os pontos de saída dos carregamentos de cocaína e os pontos de estrangulamento da extorsão.
As ações desta semana enquadram-se numa ofensiva mais ampla anunciada em 15 de janeiro, quando as autoridades lançaram o que chamaram de fase de “ofensiva total” em Guayas, Los Ríos e Manabí.
As reportagens sobre o lançamento descreveram um envio de cerca de 10.000 soldados, com Guayaquil no centro. Os relatórios locais também apontaram para o reforço dos controlos em torno das principais áreas portuárias da cidade.
O governo tem vindo a construir a base jurídica para a acção militar desde o início de 2024, quando o Presidente Daniel Noboa declarou um conflito armado interno e ordenou operações contra grupos criminosos designados.
Seguiram-se estados de exceção, incluindo um novo decreto divulgado em 1º de janeiro de 2026, abrangendo diversas províncias e cantões, entre eles Guayas, Manabí, Los Ríos, El Oro e Esmeraldas.
A pressão vem da matemática sombria. As contagens oficialmente citadas colocam 2025 como o ano mais mortífero já registado no Equador, com números relatados em torno de 8.847 homicídios até meados de dezembro e mais de 9.000 mortes violentas até ao final do ano. Diferentes datas-limite explicam a diferença, mas não a tendência.
Os defensores argumentam que o Estado deve primeiro reafirmar a autoridade nos lugares mais difíceis. Os céticos alertam que o aumento de tropas pode parecer decisivo enquanto o crime se adapta, especialmente se as prisões e a logística portuária permanecerem comprometidas.
Para os vizinhos e parceiros comerciais, o teste do Equador é importante porque a instabilidade num importante corredor do Pacífico repercute rapidamente nas rotas, nos custos e na segurança regional.