Igor Thiago, João Pedro e a batalha de cinco para fazer o ataque do Brasil na Copa do Mundo

Igor Thiago, João Pedro e a batalha de cinco para fazer o ataque do Brasil na Copa do Mundo


Como homem de cultura, há todas as chances de Carlo Ancelotti ter visto o filme japonês Battle Royale.

Lançado em 2000 e baseado no livro de mesmo nome de Koushun Takami, Battle Royale contou a história sombria de um grupo de estudantes do ensino médio, levados para uma ilha remota e instruídos a lutar até a morte.

O filme – violento, niilista, mergulhado em um oceano de sangue falso – desencadeou um pequeno pânico moral. Foi também, naturalmente, uma sensação, conseguindo grandes números nas bilheterias japonesas e essencialmente dando origem ao seu próprio gênero. Se você assistiu Jogos Vorazes ou jogou Fortnite, sentiu sua influência duradoura.

A lista de jogos da Premier League deste sábado não apresenta, aparentemente, as mesmas características. Olhe um pouco mais de perto, porém, e você poderá ver uma estranha faca escondida, talvez até uma motosserra inocente destinada a rugir e ganhar vida em algumas cenas.

Sim, bem-vindo ao Battle Royale: Brazil Striker Edition, um drama lento que agora está prestes a explodir.

Em meados de março, Ancelotti convocará a convocação para os amistosos contra França e Croácia, no final daquele mês. É sua seleção final antes de escolher os jogadores que irão para a Copa do Mundo em junho. Para aqueles que estão tentando impressioná-lo, parece um prazo difícil.

Existem dúvidas em algumas áreas. O Brasil ainda não tem laterais. Ancelotti poderia ter outra opção convincente no meio-campo. O foco principal, porém, estará no ataque, onde entram os nossos atacantes da Premier League. Matheus Cunha, João Pedro, Richarlison e Igor Jesus atuaram sob o comando de Ancelotti. Há também Igor Thiago, do Brentford, que já marcou 16 gols no campeonato em uma campanha que tem ‘tarde bolter’ escrito em tudo.

Todos os cinco jogam no sábado. João Pedro e Thiago se enfrentam pessoalmente em Stamford Bridge. O relógio está correndo. A seleção para a Copa do Mundo não é grande o suficiente para todos eles.


Depois de literalmente anos tateando no escuro, o Brasil tem, pelo menos, os ingredientes para um plano sob o comando de Ancelotti. Em cinco dos oito jogos no comando, incluindo três dos últimos quatro, o italiano escolheu quatro atacantes. Alguns no Brasil rotularam o sistema de 4-2-4, mas com um dos jogadores centrais indo mais fundo, você também poderia chamá-lo de 4-2-3-1.

Casemiro e Bruno Guimarães são escolhas automáticas no meio-campo. Vinicius Junior, cuja melhor forma no Real Madrid foi sob o comando de Ancelotti, jogará se estiver apto. O mesmo acontecerá com Estevão – outro jogador da Premier League que ultrapassou a lista de espera e rapidamente se estabeleceu como titular no lado direito.

Isso deixa dois pontos de partida. Em três dos últimos quatro jogos, foram para Rodrygo e Cunha. Este último tem desempenhado o papel um pouco retraído, com Vinicius Jr à sua frente, perambulando em busca de espaço. O sistema funcionou suficientemente bem contra a Coreia do Sul (5-0) e o Senegal (2-0) para sugerir que será mantido neste verão.

Matheus Cunha jogou pela seleção brasileira no ano passado (Jean Catuffe/Getty Images)

Vale a pena dizer algumas coisas aqui. A primeira é que Raphinha – indisponível nas duas últimas janelas internacionais – certamente teria razão em esperar retornar ao time titular agora que está novamente em forma. Não seria nenhuma grande surpresa se ele superasse Rodrygo ou Cunha, do Manchester United, nenhum dos quais esteve em excelente forma nos últimos meses.

A segunda é que a readaptação de Vinicius Jr como atacante central só aperta o vice no que diz respeito às vagas restantes no elenco. Com tantas opções disponíveis e na décima posição – todas as listadas acima, mais Gabriel Martinelli, Luiz Henrique, Lucas Paquetá, possivelmente até Neymar – é provável que um atacante completo seja necessário apenas como cobertura ou como Plano B.

Cunha, que não é realmente o número 9, é bastante seguro. João Pedro, do Chelsea, é igualmente versátil, capaz de liderar a linha e criar a partir de uma função reservada, mas não se destacou desde que impressionou na Copa do Mundo de Clubes. Jesus, do Nottingham Forest, oferece um ponto de diferença, mas provavelmente poderia fazer mais alguns gols entre agora e março se quiser reivindicar uma posição real.

Igor Jesus em ação pelo Nottingham Forest este mês (Kevin Hodgson/MI News/NurPhoto via Getty Images)

Os gols não têm sido um problema para Thiago. Ele tem 16 na Premier League e ainda estamos na metade de janeiro. Nenhum brasileiro marcou mais em uma única temporada da Premier League. Pelo peso dos números, ele deve ser um candidato a uma vaga curinga.

Há uma tendência natural para assumir alguma zombaria no Brasil em relação aos times ingleses fora dos seis ou sete maiores, tipificada recentemente pelos comentários de Gabriel Barbosa, o ex-atacante da seleção nacional. “Eu sempre digo aos jogadores: não deixem o Brasil para se juntar ao time em 10º lugar na Premier League”, disse Barbosa, reagindo a relatos que ligavam Paquetá ao retorno do West Ham United ao Flamengo.

Esta não é uma opinião majoritária, no entanto. A Premier League é incrivelmente popular no Brasil, e não apenas porque contém Manchester City, Liverpool e outras marcas globais de clubes. As pessoas desmaiam em estádios lotados em Bournemouth e Sunderland, babando com o ritmo e a qualidade do futebol. Os gols do Brentford não vêm com algum tipo de desconto.

Praticamente todas as seleções brasileiras que você gostaria de ver reforçarão esse ponto. Só nos últimos dois anos, foram convocadas jogadores do Wolverhampton Wanderers (Cunha, André, João Gomes), Brighton & Hove Albion (João Pedro), West Ham (Paquetá), Aston Villa (Douglas Luiz), Newcastle United (Joelinton, Guimarães), Nottingham Forest (Jesus, Murillo) e Fulham (Andreas Pereira). Thiago não vai ser ignorado porque joga futebol no Gtech Community Stadium.

O que vai funcionar contra ele é o estilo de futebol do Brentford. Muitos de seus gols surgiram no contra-ataque ou em passes diretos da defesa. Thiago adora correr para o espaço, empurrando seu marcador para a irrelevância e finalização. Ele é um aríete.

A questão é que o que o Brasil muitas vezes exige é um bisturi. A maioria dos oponentes se posiciona contra eles, buscando frustrar. Ainda há um lobby significativo por trás de Neymarclaramente em declínio em sua carreira, mas ainda assim o maior talento cirúrgico que o Brasil possui. As chances de Thiago ter um tempo inteiro para atacar, como costuma acontecer na Premier League, são quase nulas.

Isso não é para desconsiderá-lo totalmente. Ele mostrou flashes do conjunto de habilidades relevantes: pés rápidos, habilidade aérea, inteligência de rua na área de pênaltis. Aqui, porém, ele pode ficar um pouco aquém da opção restante da Premier League – e potencialmente uma do exterior.

O plano alternativo mais provável é Richarlison, do Tottenham Hotspur. O jogador de 28 anos não é a ideia de um avançado de elite para todos, mas algumas coisas estão a seu favor. Um deles é o seu recorde internacional de golos: 20 golos em 54 jogos. Outro é seu talento para fazer as coisas acontecerem, o fator caos, tão frequentemente útil em partidas acirradas. Ele também conta com a confiança de Ancelotti, que trabalhou com ele no Everton entre 2019 e 2021. Porém, ele foi recentemente afastado por várias semanas devido a uma lesão no tendão da coxa.

Carlo Ancelotti e Richarlison no Everton em 2021 (Jon Super – Pool/Getty Images

Depois, há Endrick, o homem esquecido do Brasil, que espera renascer por empréstimo do Real Madrid ao Lyon. Ele marcou na estreia pelo clube francês no fim de semana passado e estará de volta à cena se conseguir ganhar impulso.

Mais grevistas do que piquetes. Mais variáveis ​​do que um livro de matemática. Seis semanas até Ancelotti escolher a sua convocatória para França e Croácia. Tudo poderia mudar; tudo poderia permanecer igual.

Deixe a batalha começar.


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