Tomar paracetamol durante a gravidez não aumenta o risco de autismo ou TDAH do seu bebê – nova revisão

Tomar paracetamol durante a gravidez não aumenta o risco de autismo ou TDAH do seu bebê – nova revisão


Se você esteve grávida nos últimos meses, pode ter enfrentado um dilema. Você acorda com febre, dor de cabeça latejante ou dor nas costas – e depois faz uma pausa. É seguro tomar paracetamol?

Essa hesitação não é surpreendente. Em setembro do ano passado, o governo dos Estados Unidos semeou dúvidas e ansiedade generalizadas ligando o uso de paracetamol na gravidez ao autismo e ao déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Mas agora um novo e importante estudo internacional, publicado hoje no The Lancet, fornece a clareza necessária.

A pesquisa confirma que tomar paracetamol – também conhecido como acetaminofeno, ou por marcas como Panadol e Tylenol – não aumenta o risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual do bebê quando usado durante a gravidez.

Paracetamol permanece uma maneira segura e eficaz para tratar febre e dor em qualquer fase da gravidez.

O que o novo estudo analisou

Os pesquisadores realizaram uma grande revisão sistemática e meta-análise, o que significa que não estudaram apenas um grupo de pessoas. Em vez disso, reuniram resultados de muitos estudos anteriores.

No total, analisaram 43 estudos que se centraram em saber se as crianças expostas ao paracetamol no útero tinham maior probabilidade de serem posteriormente diagnosticadas com autismo, TDAH ou deficiência intelectual.

Crucialmente, os autores priorizaram estudos de comparação entre irmãos. Estudos entre irmãos comparam irmãos da mesma família, onde um usou paracetamol durante a gravidez e outro não.

Essa abordagem produz resultados de maior qualidade para comparação. Ajuda os pesquisadores a isolar o que estão estudando – neste caso, o paracetamol.

A genética, o ambiente doméstico e os antecedentes familiares partilhados pelos irmãos significam que não haverá diferenças nestes factores, o que poderia distorcer os resultados (conhecidos como “factores de confusão”).

Os autores usaram métodos estatísticos extensos para garantir que seus resultados fossem precisos.

Então, o que eles encontraram?

Nestes estudos de maior qualidade, os investigadores não encontraram nenhum aumento significativo no risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual em crianças cujas mães usaram paracetamol durante a gravidez.

Isto foi verdade quando os autores (a) analisaram apenas estudos entre irmãos, (b) concentraram-se em estudos com baixo risco de viés e (c) examinaram crianças acompanhadas por mais de cinco anos.

Por outras palavras, quando foram utilizados os métodos mais fortes, as ligações alarmantes anteriores simplesmente não se sustentaram. O estudo conclui que o paracetamol, quando utilizado conforme as instruções, permanece seguro durante a gravidez.

Esses resultados ecoam os de outro estudo de referência em 2024, realizado na Suécia e incluindo quase 2,5 milhões de crianças (nascidas entre 1995 e 2019).

Este estudo sueco iluminou a necessidade de bons controlos na investigação científica.

Mostrou que quando os estudos não utilizaram a comparação entre irmãos como forma de controlar fatores de confusão, parecia haver um pequeno risco aumentado de autismo e TDAH associado ao uso de paracetamol durante a gravidez.

No entanto, quando os investigadores utilizaram metodologia estatística rigorosa em estudos sobre irmãos para ter em conta os factores de confusão entre as pessoas – diferenças como a genética ou as condições de vida – estas associações desapareceram.

O estudo sueco, tal como o atual estudo da Lancet, também concluiu que não havia absolutamente nenhuma evidência de aumento do risco de autismo, TDAH ou deficiência de desenvolvimento neurológico com o uso de paracetamol durante a gravidez.

Por que isso é importante

O paracetamol não é apenas mais um medicamento. Muitas vezes, é a única opção recomendada para o tratamento da dor e da febre durante a gravidez.

A Therapeutics Goods Administration, responsável por regular a segurança e a qualidade dos medicamentos na Austrália, afirma que o paracetamol continua sendo uma gravidez “Categoria A” droga. Isso significa é seguro para uso durante a gravidez quando usado de acordo com as instruções.

Poder contar com um medicamento seguro para reduzir a febre é muito importante para as grávidas.

Deixar a febre sem tratamento durante a gravidez pode ser prejudicial tanto para o feto quanto para a mãe. Febre na gravidez foi vinculado aborto espontâneo, parto prematuro e complicações no parto.

Portanto, evitar o paracetamol “por precaução”, na verdade, não é uma escolha cautelosa. Os riscos de não tratar a dor ou a febre podem ser maiores que os riscos do próprio medicamento.

Para mulheres grávidas que estão pensando se devem tomar um comprimido para uma noite febril ou para dores de gravidez, este estudo deve ajudar a tranquilizá-las de que o uso de paracetamol é seguro e baseado em evidências.

O paracetamol continua a ser, como tem sido durante décadas, a opção de primeira linha.

Se você tiver dúvidas, fale com seu médico.


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