Se a história de África em 2026 é “crescimento com restrições”, hoje mostra-nos como são as restrições na vida real. Portos que decidem se as exportações chegam a tempo.
Sistemas bancários e de pagamento que decidem se as PME podem sobreviver a um ciclo de aperto. Mudanças nas regras na mineração que decidem se um boom de commodities se transforma em receita fiscal ou em litígio.
Acrescentemos a logística perturbada pelas condições climáticas e os megagastos politicamente sensíveis, e o resultado final é claro: os vencedores serão os países que reduzirem os atritos mais rapidamente do que os riscos aumentam.
1. Benin — Cotonou pondera um Eurobond de mil milhões de dólares para reabrir o acesso ao mercado fronteiriço
O Benim está a preparar planos para uma venda de obrigações no valor de mil milhões de dólares. O tempo e o preço serão mais importantes do que o título. Os investidores observarão se a procura provém de dinheiro real e não apenas de dinheiro rápido.
Por que é importante: Uma emissão de fronteira limpa é uma referência regional para o “risco de África” em 2026.
2. Cabo Verde — Coris Bank assume o controlo do BCA, remodelando um sistema bancário pequeno mas estratégico
O Grupo Coris Bank decidiu assumir o controlo do Banco Comercial do Atlântico (BCA). Para Cabo Verde, a concentração bancária e os padrões de governação são fundamentais para a confiança. O acordo também sinaliza uma maior expansão bancária da África Ocidental nos mercados insulares.
Por que é importante: As mudanças na propriedade dos bancos podem alterar rapidamente a oferta de crédito, a postura de conformidade e as relações com os correspondentes.


3. Nigéria – Paystack compra um banco de microfinanças e vai além dos pagamentos
Paystack adquiriu o Ladder Microfinance Bank e planeja rebatizá-lo como Paystack Microfinance Bank. Isto proporciona-lhe um caminho regulamentado para depósitos e empréstimos. Também estreita a ligação entre os dados de pagamentos e as decisões de crédito.
Por que é importante: Quando as fintechs obtêm licenças bancárias, a concorrência passa das transações para os balanços.
4. Egito – Primeiro terminal de contêineres semiautomático inicia operações em Sokhna
O primeiro terminal de contêineres semiautomático do Egito foi inaugurado em Sokhna, sob concessão de 30 anos. O terminal está posicionado como uma porta de entrada para os fluxos Ásia-Europa através do corredor de Suez. O teste principal é rendimento, confiabilidade e tempo de resposta.
Por que é importante: A eficiência portuária é uma história cambial, porque reduz a fricção comercial e apoia a competitividade das exportações.
5. África do Sul – O quadro da taxa básica de juros está sob escrutínio da concorrência
A Associação Bancária da África do Sul defendeu o sistema de taxas prime no meio do escrutínio da Comissão da Concorrência. O debate é sobre se um spread fixo sobre a taxa de recompra cria preços anticompetitivos. Mesmo que nada mude, a revisão acrescenta incerteza às narrativas de preços dos empréstimos.
Por que é importante: A credibilidade da taxa de referência afecta as hipotecas, os custos de crédito das PME e as margens bancárias.
6. África do Sul e Moçambique — As inundações perturbam estradas, agricultura e logística
Chuvas excepcionalmente fortes inundaram partes do Nordeste África do Sul e Moçambique. Os alertas de inundações aumentaram, foram relatados resgates e áreas-chave enfrentaram problemas de acesso. A colheita e as exportações em partes da África do Sul também foram perturbadas.
Por que é importante: Os choques climáticos afectaram primeiro o fluxo de caixa através da logística, depois através dos preços dos alimentos e custos de seguros.
7. Mali — Queda na produção de ouro destaca o custo do conflito regulatório
O Mali informou que a produção industrial de ouro caiu cerca de 22,9% em 2025. A queda esteve ligada à suspensão das operações na Barrick em meio a disputas sobre regras de mineração mais rígidas. O esforço de reforma visa capturar mais valor, mas também está a reduzir os volumes a curto prazo.
Por que é importante: Quando as regras são mais rigorosas a meio do ciclo, o risco de produção aumenta e os credores exigem um prémio mais elevado.
8. Quénia — Os alertas sobre crimes cibernéticos transformam-se num sinal de fiscalização e de investimento
O DCI do Quénia alertou que o cibercrime está a evoluir mais rapidamente do que o policiamento tradicional. Os investigadores concluíram um curso de crimes cibernéticos na Academia Nacional de Investigações Criminais. A mensagem é que a capacidade de aplicação da lei está a ser melhorada e não apenas a regulamentação.
Por que é importante: Uma aplicação cibernética mais forte reduz o risco operacional para bancos, empresas de pagamentos e varejistas.
9. Nigéria — A inflação diminui novamente, reforçando a narrativa da desinflação
O gabinete de estatísticas da Nigéria informou que a inflação diminuiu para 15,15% em Dezembro de 2025. A próxima questão é se as pressões alimentares e cambiais permanecerão contidas no primeiro trimestre. Os mercados concentrar-se-ão em saber se a redução da inflação se traduz em taxas reais previsíveis.
Por que é importante: Uma tendência credível de desinflação reduz o custo do capital e melhora os horizontes de planeamento.
10. Marrocos — O sucesso do futebol mascara tensões de mais de 15 a 16 mil milhões de dólares em despesas com estádios e transportes
A campanha de Marrocos até à final da AFCON melhorou o ânimo nacional. Também amenizou, por enquanto, as críticas aos pesados gastos vinculados à AFCON e à preparação da Copa do Mundo de 2030. Sob a superfície, os debates sobre emprego, saúde e educação permanecem politicamente sensíveis.
Por que é importante: O investimento em megaeventos pode impulsionar o crescimento, mas a reação social pode alterar rapidamente as prioridades políticas.
Verificação: Nada foi inventado. Cada item é baseado em relatórios publicados e verificáveis.