Pontos-chave
- São Paulo e Rio planejam os primeiros vertiportos do Brasil, construídos dentro de aeroportos urbanos existentes.
- O trabalho mais difícil é a regulamentação e a segurança, não as pistas de pouso – daí uma caixa de areia da ANAC.
- O impulso do eVTOL do Brasil é real, mas os prazos de energia, espaço aéreo e certificação decidirão se ele será dimensionado.
Os vertiportos – terminais compactos para aeronaves elétricas que decolam e pousam verticalmente – estão passando do conceito para o concreto nas duas maiores cidades do Brasil.
Os aeroportos Campo de Marte, em São Paulo, e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, estão programados para sediar os primeiros hubs do país para táxis aéreos eVTOL, em uma parceria entre a operadora aeroportuária PAX Aeroportos e a UrbanV, empresa italiana focada na construção de redes vertiportas.
A proposta é simples: transformar viagens curtas e de alto valor em saltos aéreos rápidos que contornam estradas engarrafadas. Em São Pauloos planejadores descrevem o Campo de Marte como um nó que conecta destinos como os principais aeroportos internacionais, o centro comercial Faria Lima, Alphaville, Campinas e Santos.


No Rio, Jacarepaguá se posiciona como porta de entrada da Zona Oeste, com possíveis ligações à Zona Sul, a Niterói e aos principais aeroportos da cidade. Mas a verdadeira história é a governação.
Brasil molda futuros padrões de voo urbano
Os parceiros querem um sandbox regulatório vinculado à ANAC no Campo de Marte para definir o que “operações normais” devem significar para esta nova categoria – processamento de passageiros, segurança perimetral, padrões de combate a incêndios, gestão de ruído, caminhos de abordagem e rotinas de manutenção.
O programa foi descrito como um esforço de 24 meses, sinalizando que as autoridades estão tratando-o como um sistema de aviação e não como um gadget. O momento do Brasil é importante porque o país não hospeda apenas tecnologia estrangeira.
A Eve, controlada pela Embraer, afirma ter quase 3.000 encomendas de 28 clientes em nove países, enquanto os reguladores sinalizaram que a certificação é mais realisticamente um marco para 2027 do que um lançamento a curto prazo.
Mesmo assim, a comercialização depende de uma potência de carregamento fiável, da integração na gestão do tráfego aéreo e de regras claras sobre onde e como estes aeronave pode voar.
As empresas têm divulgado os planos por meio de canais próprios, aumentando as expectativas antes da finalização das aprovações. Para residentes e viajantes a negócios, a promessa é rapidez.
Para o país, o maior prémio é estabelecer antecipadamente padrões credíveis – regras exportáveis, não exageros – para que a mobilidade aérea avançada cresça sob supervisão previsível e não sob improvisação.