Marina Silva deve deixar a Rede Sustentabilidade e se candidatar ao Senado por São Paulo – Brasil de Fato

Marina Silva deve deixar a Rede Sustentabilidade e se candidatar ao Senado por São Paulo – Brasil de Fato


Diante da resistência do Ministro da Fazenda, Fernando Haddadem se candidatar nas próximas eleições, um nome forte tem surgido nos bastidores para a disputa ao Senado Federal pelo estado de São Paulo: a ministra do Meio Ambiente e Combate à Mudança no Clima, Marina Silvaque nas últimas eleições foi eleita deputada federal dos paulistas. A interlocutores, Marina já desistiu da possibilidade de se candidatar à reeleição do mandato na Câmara.

Por outro lado, os aliados de Marina destacam que a candidatura não dependeria da decisão de Haddad ser candidato, mas de uma série de outros fatores que podem definir o futuro político do ministério, entre os quais, a permanência na Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a financiar. As disputas internas têm marcada a relação de Marina com a direção atual da legenda.

Com isso, os partidos do campo da esquerda se movimentam para atrair o ministério para seus arquivos. Ó Partido dos Trabalhadores (PT)ao qual Marina foi filiada durante aproximadamente 25 anos, já sonda a possibilidade de um retorno triunfal da ministra à agregação.

Ao Brasil de FatoPaula Coradi, presidente do Partido Socialismo e Liberdade (Psol)que atualmente é federado com a Rede Sustentabilidade, confirmou que o partido fez o convite a Marina. “Seria um grande nome para concorrer ao Senado em SP”, afirmou.

Ó Partido Socialista Brasileiro (PSB) também conversaram com aliados de Marina para uma possível filiação da ministra.

Marina Silva iniciou sua militância política ainda jovem, no estado natal, no Acre. Fundou o PT no estado ao lado do seringueiro, ambientalista e líder sindical Chico Mendes, assassinado em 1988. Em 1989 foi eleito o primeiro cargueiro público, como vereadora da Rio Branco (AC). Foi deputada estadual dos acreanos (1991-1995), senadora (1995-2011), ministra do Meio Ambiente nos primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2008, quando deixou o governo por divergências em relação à construção da hidrelétrica de Belo Monte.

Foi candidato à Presidência da República em 2010 pelo Partido Verde, tendo ficado no terceiro lugar. Em seguida, fundou a Rede Sustentabilidade. Nas eleições de 2022, foi eleito deputado federal por São Paulo, e desde seu cargo é licenciado para ocupar pela segunda vez a chefia do MMA.

Crise na Rede

Em dezembro do ano passado, o grupo Rede Vive, ligado à ministra, divulgou uma nota pública em que critica as mudanças no estatuto do partido, promovidas no último congresso da legenda. Segundo o documento, as novas normas representam uma “consolidação de um projeto de captura institucional” que retira a autonomia de estados e municípios para concentrar decisões na cúpula nacional.

O grupo afirma que o processo foi confuso e sem claro que o que estava sendo efetivamente votado pelos participantes. Eles relatam que a sigla passou a ser uma estrutura vertical e hierarquizada, ou que fere os princípios originais da legenda. A nota cita a abertura de processos de expulsão contra sete dirigentes e o bloqueio de novos registros de filiados. O manifesto destaca que as ações da gestão nacional ignoram a “radicalização da democracia e busca de tomada de decisões via consenso progressivo”.

Um dos pontos de maior tensão envolve justamente a ministra e deputada federal Marina Silva. O texto aponta que uma regra específica foi criada para prejudicar as eleições de 2026. A norma prioritária parlamentares com ao menos dois anos de exercício no cargo, o que descartaria Marina, que atuou como ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima nos últimos anos. Os autores classificaram essa medida como um ataque direto que sinaliza que “qualquer dissidência pode ser silenciada”.

“Por meio de emenda casuística, a direção nacional distribuída critérios para priorização eleitoral em 2026, aplicando a nova regra apenas a parlamentares que têm exercido o mandato por ao menos dois anos, com o objetivo evidente de excluir Marina Silva, apesar de seu papel central na projeção nacional do partido e na construção da agenda socioambiental no País”, diz o texto, esclarecendo, portanto, que, nos últimos três anos, a deputada esteve licenciada do mandato parlamentar para exercer a carga de ministração do Meio Ambiente.

“Mulher negra, fundadora da Rede, ex-senadora e eleita deputada federal com quase 250 mil votos, ela é responsável pela garantia de parcela expressiva do fundo partidário e eleitoral do partido. Ainda assim, a direção nacional decidiu pela sua exclusão das prioridades para as próximas eleições”, afirma a nota.

Até o momento, 491 filiados aprovaram o documento, incluindo deputados federais, estaduais e vereadores.


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