Pontos-chave
- O PicPay entrou com pedido de listagem na Nasdaq, com o objetivo de negociar sob o ticker PICS, no que pode se tornar o IPO de fintech mais importante do Brasil desde 2021.
- A empresa reportou um forte crescimento nos lucros e receitas até setembro de 2025, reforçando a sua afirmação de que a escala e o envolvimento podem traduzir-se em lucros.
- O acordo destaca uma solução de compromisso familiar: novo capital para expansão, aliado a estruturas de governação que mantêm o controlo no campo dos fundadores.
O PicPay, um dos aplicativos financeiros mais conhecidos do Brasil, entrou com pedido de oferta pública inicial nos Estados Unidos, buscando ser listado no Nasdaq Global Select Market sob o símbolo PICS.
A medida coloca de volta os holofotes sobre os inovadores do financiamento ao consumo do Brasil, depois de um longo período em que as novas listagens de ações em toda a América Latina desaceleraram.
Em seu arquivamento, PicPay reportou lucro líquido de R$ 313,8 milhões (US$ 58 milhões) nos primeiros nove meses de 2025, sobre receitas e receitas financeiras de R$ 7,26 bilhões (US$ 1,34 bilhão).


Um ano antes, reportou R$ 172 milhões (US$ 32 milhões) em lucro e R$ 3,78 bilhões (US$ 700 milhões) em receitas e receitas financeiras. A empresa está constituída em Amsterdã e planeja adotar o nome formal Pics NV após a oferta.
PicPay mostra a rápida mudança do Brasil para pagamentos digitais
A história do PicPay reflete a rápida mudança do Brasil de dinheiro para pagamentos instantâneos e serviços bancários baseados em aplicativos. Fundada em Vitória em 2012 como uma carteira digital, expandiu-se para serviços bancários e de crédito mais amplos à medida que o Pix acelerava os pagamentos em tempo real em toda a economia.
A empresa apontou um grande alcance – 66 milhões de contas e 42 milhões de usuários ativos – e um mecanismo de pagamentos em rápido crescimento.
No trimestre encerrado em 30 de setembro de 2025, relatou 42 milhões de consumidores ativos trimestralmente e um volume total de pagamentos de R$ 141 bilhões (US$ 26,1 bilhões), acima dos R$ 109 bilhões (US$ 20,2 bilhões) do ano anterior.
Uma compra planeada de âncoras poderia ajudar a estabilizar a procura. A Bicycle, fundo de crescimento associado a Marcelo Claure, indicou que pode comprar até US$ 75 milhões em ações pelo preço da oferta.
Os subscritores incluem Citigroup, Banco da Américae RBC. Para os investidores, o apelo é simples: uma plataforma lucrativa e com escala num grande mercado.
A cautela é igualmente clara: espera-se que o controlo permaneça nas mãos da J&F, a holding da família Batista, um lembrete de que a governação – que verdadeiramente orienta a estratégia – é tão importante como o crescimento.