Pontos-chave
- A produção de petróleo do Brasil aumentou 13,9% em relação ao ano anterior, em novembro, mesmo depois de ter caído em relação ao ritmo recorde de outubro.
- Alguns centros do pré-sal dominam agora a oferta nacional, fazendo os números mensais oscilarem com as operações das plataformas.
- Os volumes de gás estão a crescer, mas apenas uma fracção chega aos compradores e a queima continua a ser uma ineficiência mensurável.
O Brasil bombeou em média 3,773 milhões de barris de petróleo bruto por dia em novembro, um aumento de 13,9% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo a agência reguladora nacional do petróleo, ANP.
No entanto, o mês também lembrou o quão “irregular” operacionalmente o boom offshore do Brasil pode ser: a produção caiu 6,4% em relação a Outubro, depois de o país ter ultrapassado os 4 milhões de barris por dia pela primeira vez numa média mensal.
A mudança foi visível onde é mais importante. Em novembro, Búzios continuou sendo o maior campo produtor de petróleo do país, com 744,3 mil barris por dia de petróleo bruto. Mero liderou em gás com 40,80 milhões de metros cúbicos por dia.


A principal instalação produtora de petróleo foi o FPSO Almirante Tamandaré, em Búzios, com média de 239.453 barris por dia, enquanto o FPSO Marechal Duque de Caxias em Mero liderou o gás com 12,83 milhões de metros cúbicos por dia.
Quando uma destas megaunidades abranda para manutenção programada, trabalho de poço ou ciclos de comissionamento, os totais nacionais acompanham-na. Em termos de petróleo equivalente, o Brasil produziu 4,921 milhões de barris de óleo equivalente por dia de petróleo e gás natural em novembro.
A produção do Brasil é dominada pelos campos do pré-sal e offshore
A produção do Pré-sal atingiu 3,913 milhões de boe/d, ou 79,6% do total nacional, produzidos através de 178 poços, incluindo 3,024 milhões de barris por dia de petróleo e 141,27 milhões de metros cúbicos por dia de gás.
Os campos offshore representaram 97,7% da produção de petróleo e 85,7% da produção de gás, sublinhando o quão concentrada se tornou a oferta do país.
A Petrobras, atuando isoladamente ou em consórcio, foi responsável por 89,35% da produção em 6.082 poços produtores (539 offshore e 5.543 onshore).
A história do gás também tem mais nuances do que a manchete: o Brasil produziu 182,57 milhões de metros cúbicos por dia de gás em novembro, mas apenas 61,87 milhões de metros cúbicos por dia foram disponibilizados ao mercado. A ANP reportou uma taxa de utilização de 96,9%, com 5,71 milhões de metros cúbicos por dia queimados.
Para os leitores globais, a conclusão é simples: o Brasil é cada vez mais relevante como fornecedor do Atlântico, mas a sua produção mensal ainda é uma função de operações disciplinadas e regras previsíveis, e não de slogans políticos.