Os governos do Brasil, do México, do Chile, da Colômbia, do Uruguai e da Espanha divulgaram, neste domingo (4), uma carta em que rechaçaram as “ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano”. A manifestação também aponta preocupação ante qualquer “intenção de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos”.
A nota pontua que tal ação ameaça a estabilidade política, econômica e social da região. Para os países, o ataque estadunidense viola princípios fundamentais do Direito Internacionalem particular a proibição do uso e da ameaça de força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, os quais estão consagrados na Carta das Nações Unidas.
Os governos pedem uma solução por vias de importação mediante o diálogo, a negociação e o respeito “à vontade do povo Venezuela em todas as suas expressões, sem ingerências externas”. “Reafirmamos que só um processo político inclusivo, liderado pelos(as) venezuelanos pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa com a dignidade humana”, assinala o texto.
O documento também destaca o caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz. “Fazemos um chamado à unidade regional, para além das diferenças políticas frente a qualquer ação que coloque em risco a estabilidade regional”, diz a nota.
Eles pedem ainda que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e os estados-membros contribuam para a “desescalada de tensão e a preservação da paz regional.”
Nesta segunda-feira (5), ocorrerá uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a ação estadunidense e o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. A reunião do colegiado, que conta com a participação de 15 membros, foi solicitada pela Colômbia, reforçada pela Rússia e China.
Entenda
O ataque realizado na madrugada de sábado (3) em Caracas, capital da Venezuela, ocorreu após uma série de bombardeios a barcos vindos da costa da Venezuela que deixaram 115 mortos. Após bombardear a capital, as forças militares dos Estados Unidos sequestraram Nicolás Maduro e Cília Flores.
No pronunciamento, Donald Trump disse que será responsável por uma transição de governo no país e administrará suas reservas de petróleo, as maiores do mundo. Diante da gravidade dos acontecimentos, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu marcar uma reunião de emergência para esta segunda.
Na tarde deste domingo (4), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) faz uma reunião preparatória.