Pontos-chave
– Num amplo discurso civilizacional na Conferência de Segurança de Munique, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reformulou a aliança transatlântica como um vínculo de ascendência, fé e cultura partilhadas – e não um contrato de defesa a ser renegociado.
– Em vez de repreender a Europa pelos orçamentos militares, Rubio apresentou o que equivalia a um apelo de um membro da família: fique mais forte, tenha orgulho e caminhe connosco – ou caminharemos sozinhos.
– O discurso dividiu fortemente as opiniões: a direita saudou a rejeição do declínio ocidental; a esquerda alertou para a nostalgia excludente vestida de poesia diplomática.
Algo extraordinário aconteceu na Conferência de Segurança de Munique. O principal diplomata americano subiu ao palco da defesa mais importante do mundo e, em vez de exigir OTAN números orçamentais, fez uma pergunta desarmante: o que defendemos exactamente?
A sua resposta não foi uma aliança ou uma instituição. Foi uma civilização – seu povo, fé e cultura.
O secretário de Estado, Marco Rubio, levou o público de volta a 1963, quando esta conferência nasceu numa Alemanha dividida, com o Muro de Berlim recentemente construído e a guerra nuclear a um erro de cálculo de distância.
Ele traçou o triunfo do Ocidente sobre o comunismo soviético – e depois deu o golpe. Essa vitória, argumentou ele, gerou uma “perigosa ilusão” de que a história acabou, as fronteiras já não importavam e o comércio por si só manteria a paz.
O que se seguiu não foi um infortúnio, mas uma escolha. Desindustrialização, cadeias de abastecimento entregues, políticas energéticas autodestrutivas, migração em massa desestabilizadora – tudo voluntário, tudo partilhado. “Cometemos esses erros juntos”, disse ele, recusando-se a dar sermões de cima.
Então veio a reversão. A franqueza da América, explicou Rubio, não vem da arrogância, mas de algo mais próximo do amor. Washington quer aliados fortes não porque a fraqueza irrite os EUA, mas porque põe em perigo toda a família.
O clímax retórico foi pessoal. Rubio traçou o DNA da América através da Europa – lei inglesa, homens da fronteira escoceses-irlandeses, exploradores franceses, cowboys espanhóis, Nova Amsterdã holandesa – e depois revelou suas próprias raízes no Piemonte e em Sevilha do século XVIII. “Seremos sempre filhos da Europa”, disse ele. Um diplomata cubano-americano em solo europeu, tornando-se prova viva do vínculo.
Na política, ele propôs a reindustrialização, cadeias de abastecimento mineral ocidentais, IA conjunta e liderança espaciale instituições internacionais reformadas. Ele citou a trégua em Gaza e os ataques ao programa nuclear do Irão como prova de que os organismos multilaterais já não conseguem resolver crises reais. Sua tese em quatro palavras: o declínio é uma escolha.
Da esquerda, os críticos veem uma história romantizada que apaga o colonialismo, flerta com o nacionalismo cristão e rejeita a ação climática como um “culto”. Da direita, os apoiantes veem o primeiro líder americano numa geração disposto a dizer que vale a pena defender o Ocidente sem pedir desculpas.
De qualquer forma, a mensagem continha um ultimato de veludo: a América está a avançar, a porta está aberta, mas não ficará aberta para sempre.
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