Pontos-chave
– Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco fecharam 938 agências em 2025 – superando as mais de 800 fechadas em 2024 – e terminaram o ano com 4.878 agências, à medida que os três aceleram sua mudança para canais digitais.
– O Itaú investiu R$ 11,7 bilhões em tecnologia (alta de 18,2%) e migrou 15 milhões de clientes para um único aplicativo; O Santander consolidou serviços em sua plataforma One App; O Bradesco já origina 44% de seus empréstimos digitalmente.
– A rede total de agências do Brasil diminuiu um terço desde 2015 – de 23.154 para cerca de 15.500 – à medida que fintechs como o Nubank capturam segmentos de baixa renda e forçam os bancos tradicionais a competir em custos.
As restantes visitas às agências, disse o CEO do Santander, são cada vez mais apenas idas ao multibanco. Isso diz tudo sobre o rumo que o setor bancário brasileiro está tomando.
Os três maiores bancos privados do Brasil eliminaram 938 agências em 2025, acelerando uma tendência que viu mais de 800 fechamentos no ano anterior. O Itaú liderou com 319 paralisações, encerrando em 1.953 localidades.
O Santander caiu abaixo de 1.000 pela primeira vez, terminando em 916 após cortar 323 agências e 256 postos de atendimento menores. Bradesco fechou 296, elevando sua rede para 2.009. Juntos, o trio encerrou 2025 com 4.878 agências.

Os fechamentos são impulsionados pela concorrência das fintechs que remodelou a forma como os brasileiros acessam os serviços bancários. Jogadores digitais como Nubank forçaram os bancos legados a investir dinheiro em aplicativos e retirar custos das redes físicas.
Bancos brasileiros aceleram mudança digital
O Itaú gastou R$ 11,7 bilhões em tecnologia no ano passado, um aumento de 18,2%, e concluiu a migração de 15 milhões de clientes de plataformas legadas para um único Superapp. O CEO Milton Maluhy disse que o banco está aumentando sua carteira de crédito consignado por meio de um canal totalmente digital com “custo de serviço muito baixo”.
O Santander seguiu o mesmo manual, consolidando serviços em seu One App e migrando 15 milhões de clientes. O CEO Mario Leão reconheceu que as visitas às agências agora se concentram quase inteiramente nos caixas eletrônicos. “As agências continuam a ter um papel relevante, em menor número, num formato diferente e para uma base de clientes diferente”, afirmou.
O Bradesco, no terceiro ano de uma reestruturação mais ampla, originou 44% do seu crédito digitalmente no ano passado. O CEO Marcelo Noronha descreveu o processo como o ajuste da “pegada” do banco e, ao mesmo tempo, a construção de capacidade para competir no setor bancário digital de varejo a custos mais baixos.
O quadro mais amplo é nítido. A rede total de agências do Brasil encolheu um terço desde 2015, de 23.154 para cerca de 15.500. Para os grandes bancos privados, a questão já não é se as sucursais desaparecerão, mas sim com que rapidez – e se as ferramentas digitais que as substituem podem reter os clientes que agora têm mais opções do que nunca.