Pontos-chave
- O Ibovespa subiu 12,56% em janeiro, seu melhor mês desde novembro de 2020, e ultrapassou os 186 mil intradiários.
- Os investidores estrangeiros investiram mais de R$ 23 bilhões (US$ 4,26 bilhões) em ações brasileiras até 28 de janeiro, o maior fluxo mensal desde janeiro de 2022.
- Os gráficos sugerem que a dinâmica está esfriando em relação aos níveis extremos, mas a tendência de alta mais ampla ainda parece intacta.
O mercado de ações brasileiro encerrou janeiro com o tipo de desempenho que obriga os alocadores globais a prestar atenção.
O Ibovespa subiu 12,56% no mês, o ganho mensal mais forte desde novembro de 2020, após ultrapassar os 186 mil pontos pela primeira vez no intradiário.
O dólar caiu 4,40% em relação ao real em janeiro e encerrou a última sessão do mês cotado a R$ 5,2476 (US$ 0,19 por real), reforçando a sensação de que o dinheiro internacional não estava apenas brincando, mas também se reposicionando.
O motivador mais claro foi o fluxo. Dados da B3 citados na cobertura do mercado mostram que investidores estrangeiros trouxeram mais de R$ 23 bilhões (US$ 4,26 bilhões) para ações brasileiras até 28 de janeiro.
Esta é a maior entrada mensal de estrangeiros desde janeiro de 2022. Também corresponde quase a todas as compras estrangeiras registadas durante todo o ano de 2025, quando as entradas líquidas totalizaram R$ 25,47 mil milhões (US$ 4,72 mil milhões).


Ibovespa fecha melhor mês desde 2020 com dinheiro estrangeiro inundando o Brasil
A narrativa por detrás dessa rotação foi geopolítica e financeira: um recuo da exposição dos EUA após as tensões globais do final do mês e uma procura de liquidez e de carry em mercados que oferecem taxas reais elevadas.
A política interveio, mas não atrapalhou o comércio. As pesquisas mantiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na frente em cenários de primeiro turno, enquanto pesquisas recentes mostraram uma vantagem mais estreita sobre o senador Flávio Bolsonaro em um hipotético segundo turno.
Separadamente, o Mercosul e a União Europeia assinaram um acordo de comércio livre há muito aguardado, após 26 anos de negociações. Os investidores também acompanharam o amplo caso Master.
O Banco Central liquidou a Will Financeira, controlada pelo Banco Master, e a Polícia Federal cumpriu mandados de busca envolvendo funcionários do Rioprevidência ligados a suspeitas de operações irregulares.
A política monetária ajudou o clima de risco. O Copom manteve a Selic em 15% pela quinta vez, mas retomou a orientação futura que aponta para cortes nas taxas a partir de março, com os mercados inclinando-se para um movimento de 0,50 ponto percentual.
O Fed também manteve as taxas entre 3,50% e 3,75%, com dois dissidentes a favor de um corte, e o mês terminou com Kevin Warsh nomeado para suceder Jerome Powell em maio.
Os maiores ganhos do mês mostraram onde estava a convicção do mercado: educação de recuperação e cíclicos domésticos, além de energia. A Cogna liderou com salto de 43,99%, seguida pela Raízen +27,16%, Petrobras ON +24,01%, Vamos +23,53% e Prio +23,10%.
As ações preferenciais da Petrobras subiram 22,52%, enquanto o Brent ganhou 13,9% em janeiro, fechando em torno de US$ 69,32. Os perdedores foram liderados pela Vivara, que caiu 15,22%, pressionada por um aumento de 9,30% no ouro, para cerca de US$ 4.745,10 por onça, além de Hapvida -11,74% e Marfrig -6,56%.
Os gráficos capturam como o mês terminou: ainda forte, mas menos frenético. No gráfico de 4 horas, o RSI caiu para cerca de 62,76, um claro arrefecimento após os extremos da semana, com a dinâmica do MACD a tornar-se negativa.
No gráfico diário, o RSI está em torno de 74,79, ainda elevado, mas fora do pico, enquanto o RSI semanal perto de 82,44 mantém ativo o aviso de “sobrecompra”.
A mensagem para fevereiro é simples. A tendência mantém-se, mas o mercado está agora precificado pela continuação de boas notícias e pela procura externa constante.