Pontos-chave
- O Brasil adicionou 1.279.498 empregos formais em 2025, mas o ritmo desacelerou acentuadamente a partir de 2024.
- Os serviços impulsionaram o mercado de trabalho, enquanto as altas taxas de juros restringiram o crédito às empresas.
- As demissões sazonais de dezembro foram mais intensas do que o normal, sugerindo contratações mais fracas em 2026.
O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo do emprego formal, mas a manchete esconde uma clara perda de velocidade. Os dados do Novo Caged divulgados em 29 de janeiro de 2026 mostraram 26.599.777 admissões e 25.320.279 desligamentos, totalizando um ganho líquido de 1.279.498 empregos com carteira assinada.
Esse foi o resultado anual mais fraco desde 2020, quando a pandemia provocou uma perda líquida de 189.393 postos formais. Também marcou uma queda em relação ao ganho líquido de 1.677.575 de 2024, e bem abaixo dos anos de recuperação de 2021 e 2022.
Mesmo assim, o nível de emprego formal continuou a subir. O estoque de vínculos formais ativos subiu 2,71% em 2025, passando de 47,19 milhões para 48,47 milhões, o maior da série atual.


A criação de emprego do ano foi generalizada a todos os sectores, mas não foi partilhada de forma equitativa. Os serviços representaram 758.355 novos empregos, muito à frente do comércio, com 247.097. A indústria somou 144.319, a construção 87.878 e a agricultura 41.870.
Nos serviços, informação, comunicação, finanças, imobiliário e atividades profissionais e administrativas somaram 318.460.
Administração pública, educação, saúde e serviços sociais somaram 194.903. A geografia também parecia saudável no papel. Todas as regiões e todos os estados apresentaram saldos positivos.
Crescimento do emprego no Brasil mostra desaceleração regional
O Sudeste criou 504.972 empregos, o Nordeste 347.940, o Sul 186.126, o Centro-Oeste 149.530 e o Norte 90.613. São Paulo liderou os estados com 311.228, seguido pelo Rio de Janeiro com 100.920 e Bahia com 94.380.
Autoridades argumentaram que o crédito caro era mais importante do que os EUA tarifa choque. A taxa Selic do Brasil atingiu 15% ao ano em junho de 2025 e permaneceu nesse nível, seu nível mais alto desde 2006.
Os efeitos tarifários, disseram, concentraram-se nas cadeias de exportação, como madeira, mobiliário e calçado, onde as ligações à procura dos EUA são mais fortes.
O ano terminou com um sinal de alerta. Em dezembro de 2025 houve fechamento líquido de 618.164 empregos formais, sendo 1.523.309 contratações e 2.141.473 demissões.
Dezembro costuma ser negativo, mas a queda foi mais profunda do que no ano anterior. Para as famílias e as empresas, a mensagem é simples: continuam a ser criados empregos, mas a dinâmica está a diminuir.